Educadores

Carlos Eduardo Lima Braga (Kadu)

Carlos Eduardo Lima Braga (Kadu)

Estudante de Ciências Sociais (Escola de Sociologia e Política de São Paulo) e Educador, com atuações na Secretaria Estadual da Cultura, enquanto Educador Cultural, e atualmente no Colégio Oswald de Andrade. Cofundador do Cursinho Livre da Lapa - projeto que integra a Casa Mafalda, Espaço Autônomo onde leciona na área de Geografia.

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    DEZ

    2015

    Convocação de apoio aos secundaristas de São Paulo

    por Carlos Eduardo Lima Braga (Kadu) em 02/12/2015

    De um lado, o governo de Geraldo Alckmin e sua já conhecida forma de lidar com movimentos sociais e suas pautas: por meio da completa ausência de diálogo, em paralelo à utilização esquizofrênica da Polícia Militar para ‘resolução’ truculenta das demandas e manifestações populares.

     

    Neste mesmo cenário, temos o Secretário Estadual de Educação Herman Jacobus Cornelis Voorwald; que segundo áudio divulgado pela rede Jornalistas Livres na manhã do dia 30 de outubro, através da voz de seu Chefe de Gabinete da secretaria de educação do estado de São Paulo, Fernando Padula, declara ‘guerra’ às escolas ocupadas, informando inclusive que amanhã (01 de dezembro), o governador assinará o decreto da reorganização das escolas estaduais de São Paulo - o que acarretará no início das reintegrações de posse das escolas ocupadas. Ao lado das Secretarias de Ensino e Diretores e Diretoras do sistema público de ensino.

     

    Nesta reunião, realizada no domingo (29 de outubro) com cerca de 40 dirigentes de ensino do Estado de São Paulo, Fernando Padula apresenta ‘Leandro’ do Movimento Ação Popular (ligado ao PSDB); que estava ali, claramente, para forjar um diálogo com parcelas da juventude estudantil. Fez questão de deixar explícito, no entanto, seu posicionamento no sentido de ‘fazer ações que apoiem as desocupações’ e “ajudar nessa guerra da ação”.

    A ideia dos governistas é isolar as escolas ocupadas; enquanto se consolida o processo de reorganização das escolas que não estão ocupadas. Isso tudo porque, nas palavras de Fernando, “a prática de guerrilha é essa”.

    Após ‘apresentar as suas armas’, Fernando Padula afirma que será assinado na terça-feira (01 de novembro) o decreto do governador que determina a reorganização - levando os presentes na reunião a bradar de empolgação.

     

    Nesse contexto, o chefe de gabinete declarou:

    “A ação política, nós vamos brigar até o fim. E vamos ganhar e vamos desmoralizar e desqualificar o movimento.” E continuou sua fala entoando o seguinte discurso: "A gente tem que de um lado desqualificar o movimento. O movimento é político, é partidário, é pra desviar o foco. Eu e a professora Raquel estivemos com Dom Odilo. Nós estamos apelando pra todo mundo... Impressionante a leitura do cardeal. 'Mas isso é pra desviar o foco de Brasília. Isso é pra criar...' Lógico que a gente não pode sair por aí dizendo que o cardeal falou isso. Vocês vejam que a autoridade máxima da igreja católica consegue entender que o que tem do lado de lá é uma ação política. (...) E falou pra gente: 'Essas questões de manipular e ver.... Isso tem uma estratégia, isso é estudado, isso tem método. O que você tem que fazer é informar e informar, conversar. Fazer a guerra da informação, o máximo possível, que você vai desmobilizando esse pessoal e criando as agendas positivas"

     

    Do outro lado, observa-se milhares de adolescentes construindo autônoma e diariamente ocupações em mais de duzentas escolas por todo o Estado - estando as maiores e principais concentradas na capital.

     

    Somando nesta luta, temos mães, pais, professorxs, e, ainda, uma significante parcela da população.

    Aliada aos estudantes, vê-se outra parceira de vital importância. Ao lado delxs, está a História. Têm em suas mãos possibilidades reais e irrestritas de atuarem enquanto sujeitos políticos, críticos e pensantes acerca de seu tempo histórico e espaço social.

     

    Essxs estudantes carregam consigo o Ginásio da Bahia, tomado por Carlos Marighella na década de 30; carregam consigo a força dos estudantes chilenos que inspiram o mundo com sua gana por melhorias da educação pública de qualidade; carregam consigo as Universidades dos Pés Descalços na Índia - aonde todxs da comunidade são professorxes e estudantes trocando conhecimentos; carregam consigo a firmeza sutil dos indígenas das Escuelitas Zapatistas.


    À frente, os secundaristas podem vislumbrar um futuro muito mais próspero, no qual, a partir do movimento de ocupação de escolas públicas, sucateadas pelo modelo empresarial de governo; haverá possibilidade de se manterem enquanto instituição autônoma e popular de educação. Refiro-me aos bacharelados argentinos; que vindos de um processo de semelhante conjuntura política, tomaram o que lhes é de direito, a educação. Por lá estudantes, pais, mães e professorxs, passaram a compor conselhos, a fim de gerir o espaço coletivo e, atualmente, muitos já detém legitimidade junto ao Ministério de Educação da Argentina de prover diplomas aos novos estudantes que lá atuam.

     

    Infelizmente, em São Paulo, o cenário é tenso. Estamos a algumas horas do cumprimento das ameaças reveladas pelo áudio gravado na reunião da Secretaria Estadual de Educação.
     

    O que você pode fazer?

    Primeiro, permaneça em alerta durante essa terça-feira (bem como durante toda essa semana crítica que se apresenta). Vá à escola ocupada mais próxima e busque - não só manifestar o seu apoio - mas se possível, interagir de forma construtiva com a ocupação.

    Ofereça auxílio braçal aos secundaristas e participe dos mutirões.

    Caso a Polícia Militar inicie uma ação mais violenta, ajude xs estudantes a manterem a calma e ficarem unidos. Somente a população unida conseguirá barrar o processo mercantil do ensino.

    Acompanhe e divulgue as informações da página O Mal Educado - principal página de comunicação do movimento de estudantes secundaristas autônomos.

     

    E componha, cada qual à sua maneira, as fileiras dessa luta!
    Ofereça aulas! Independentemente do preenchimento deste formulário, que propõe uma campanha de doação de aulas. Preencha o formulário sim! Mas não aguarde ser contatado para se dirigir à uma ocupação e oferecer-se ao trabalho. Em reunião aberta para organização das respostas coletadas, o formulário - lançado pelo grupo HUB Livre já contava com 5318 propostas de doações de aulas, para serem distribuídas pelas mais de 200 escolas ocupadas.
    Ocorre que, como sabemos, o tempo urge. Enquanto essa tabela coletiva não é finalizada; lembramos a todxs de que basta ir à uma escola ocupada e manifestar seu apoio da forma que lhe for melhor.

    Para saber qual a localização das escolas, acesse o mapa colaborativo das escolas ocupadas.

    Por óbvio, este artigo tem como objetivo alertar o(a) leitor(a) para a importância do dia 01 de dezembro (terça-feira) no estado de São Paulo. Trata-se de um período ímpar em nossa história, e de um passo importantíssimo em nossa constante luta por uma educação pública e de qualidade. Por isso amanhã, e os dias que se seguem, serão de imensa importante para toda a sociedade - uma vez que nesses dias pode residir o lampejo de uma nova fase de luta: a construção de escolas autônomas e populares.

     

    Por isso, junte-se aos estudantes das escolas de luta, e apoie - da maneira que lhe for possível - esse processo único de luta pela emancipação de nossas escolas; e mais que isso, de nossos direitos à informação e formação crítica, cidadã, coletiva e popular.


    Todo apoio à justa luta dos estudantes secundaristas do estado de São Paulo!
     

    HáBraços!

     

     

     

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