Educadores

  • 11

    SET

    2013

    Manifesto das crianças

    por Denis Plapler em 11/09/2013

    Queridos professores,

    Os senhores podem nos aprisionar em suas escolas, em suas salas de aula e até mesmo enfileirar-nos por horas nestas justas carteiras, mas jamais poderão prender o nosso pensamento. Com muito esforço conseguirão, quem sabe, aprender sobre ele. Pois, enquanto o  pensamento dos professores marcha, o pensamento das crianças dança, e nesta dança acaba por acomodar-se nos mais inesperados lugares.

    O pensamento das crianças é livre, troca de par a toda hora, segue uma coreografia de ritmo próprio. Seus passos acompanham o som de canções surdas aos adultos,  levam nossa imaginação a lugares distantes. Visita indagações a respeito do funcionamento da natureza, beija a boca da mais bela garota, ou garoto,  da escola, se diverte nos parques e campos de futebol e, nos piores dias, pousa sobre os problemas que se passam dentro das casas e  os senhores nem fazem ideia.

    Por isso entendam, nós não temos dificuldade de prestar atenção em suas aulas, são os senhores que tem dificuldade de prestar atenção em nós. Logicamente somos muitos para sermos observados por apenas um, mas não fomos nós que inventamos isto e não acreditamos que devemos pagar pelos erros daqueles que o fizeram.

    Então, por favor, não nos encaminhem para que um especialista qualquer nos medique por não acharmos suas aulas interessantes. Queremos saborear a vida conscientes. Não nos avaliem com base em suas provas, pois certamente provarão como não pensamos todos da mesma maneira.

    Nenhuma criança tem dificuldade de prestar atenção, se não estamos atentos aos senhores, estamos concentrados em outras coisas. Entendem? Simplesmente prestamos atenção naquilo que mais nos interessa e suas aulas podem não ser interessantes para nós neste momento. Não é nada pessoal, não fiquem zangados. Quem sabe, inclusive, se os senhores nos permitirem investigar estas questões que passam pelas nossas cabeças, as aulas se tornariam bem mais atraentes e significativas.

    Lembrem-se professores, nosso amigo Nietzsche já dizia: “maturidade no homem é resgatar a serenidade que se tinha quando criança ao brincar”.

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Denis Plapler

Denis Plapler

Formado como Sociólogo pela PUC-SP e Mestre em Filosofia da Educação pela USP.