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Edson Grandisoli

Edson Grandisoli

Idealizador da Rede de Escolas Sustentáveis (RESUS).Biólogo, Ecólogo e professor das redes pública e particular de ensino, tem dedicado sua vida à Educação em suas mais diferentes vertentes. Atualmente, trabalha como consultor de escolas públicas e particulares em Educação e Sustentabilidade, atua como formador de professores e diretor educacional da Escola da Amazônia, é associado da Reconectta e doutorando em Educação e Sustentabilidade pelo Programa de Ciência Ambiental da USP (PROCAM/USP).

  • 08

    AGO

    2017

    O que é Sustentabilidade afinal?

    por Ed Grandisoli em 08/08/2017

    Tenho atuado como formador de professores dos Ensinos Básico e Universitário em Educação para a Sustentabilidade há um tempinho.

    Uma das questões recorrentes é: O que é sustentabilidade?

    Já tive a oportunidade de escrever sobre a importância de não permitir que a ausência de uma definição seja imobilizadora. De um jeito ou de outro, temos nossas visões do que é ou não sustentável. No fundo, é isso que importa.

    Mas enfim, se a definição se faz tão necessária, acho que eu definiria sustentabilidade como:

    “a busca permanente da manutenção dos processos tipicamente humanos (culturais, políticos, econômicos, sociais, etc.) sem que estes prejudiquem e, idealmente, melhorem, os processos biogeoquímicos, garantindo a manutenção e aumento da diversidade e da biodiversidade”.

    Toda definição, por definição, engessa as possibilidades e, por isso, tenho seguido a linha de que sustentabilidade é um valor, e não um conceito.

    Ao ler essa definição, a contra-argumentação lógica está ligada à utopia. Ou seja, não conseguiremos manter os processos humanos e, ao mesmo tempo, melhorar os demais ligados à terra e manutenção da vida em todas as suas formas. Pelo menos, não dentro do modelo civilizatório em curso.

    Se considerarmos essa visão de sustentabilidade utópica, o que estamos buscando, afinal?

    Muitos autores têm sugerido a substituição de sustentabilidade por resiliência, por ser um conceito melhor compreendido e advindo da reconhecida Ecologia, ou das Ciências Biológicas, de maneira mais ampla.

    A ideia parece boa a princípio, mas autores conceituados como Arjen Wals, só para citar um, tem criticado duramente essa substituição, afinal, ser resiliente diz respeito, grosso modo, à capacidade de restauração frente a um impacto.

    No fundo, o ideal é que o impacto não ocorra. Resiliência, portanto, abre a porta para uma possibilidade que não gostaríamos de considerar em sociedades realmente sustentáveis.

    Para continuar, e finalizar a lista de jargões e conceitos, apresento um que me agrada: regeneração.

    Estamos vivendo um momento de transição, que gera conflitos e, ao mesmo tempo,  alternativas.

    Talvez precisemos primeiro buscar a regeneração daquilo que já está prejudicado, incluindo o ambiente e muitos de seus processos biogeoquímicos e, para além do exterior, regenerar a nós mesmos, nossos laços de confiança e cooperação na busca por um novo sentido à existência.

    As inúmeras crises são humanas, nascem conosco e precisam ser regeneradas antes de evoluirem e gerarem um novo estado mais equilibrado, equitativo e harmônico. Talvez nesse momento poderemos, sem culpa ou dúvida, falar em sustentabilidade.

     

    PS. Gratidão ao Monge Jorge Koho pela inspiração.

     

     

     

     

     

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