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Ely Paschoalick

Ely Paschoalick

Educadora e consultora em comportamento humano, possui formação em Administração Escolar, com especialização em consultoria Organizacional e Educacional. Atua profissionalmente desde 1968 tendo ministrado treinamentos, cursos, encontros, workshop e palestras para mais de 40 mil pessoas. Ely presta serviços a colaboradores, gerentes e líderes de corporações da rede pública – privada – secular e religiosa realizando Consultas – Cursos - Palestras de variados temas e Treinamento da Concentração e Atenção. É autora da “Pedagogia dos 4 P’s”; do livro “Os 4 P’s da Educação”; do método de alfabetização para adultos com revistas e jornais; de inúmeras publicações e trabalhos envolvendo a construção crítica de uma escola, a educação inclusiva, humanitária, democrática e a pedagogia da sustentabilidade.

  • 16

    OUT

    2015

    ESCOLA PARTICULAR DEVE COBRAR TAXAS A MAIS PELA EDUCAÇÃO DE PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS?

    por ElyPaschoalick em 16/10/2015

    Tenho acompanhado pela mídia uma verdadeira batalha judicial a respeito da legalidade ou não de cobrança, por parte das escolas particulares, de taxas extras pela prestação de serviços educacionais de estudantes portadores de necessidades especiais.

    Para você se inteirar mais sobre o posicionamento da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil); Sindicato dos Proprietários de Escolas Particulares e outros órgãos pode ler notícias referentes no link: http://www.inclusive.org.br/?p=28447

    Tendo sido proprietária de escola particular inclusiva por mais de 20 anos (desde o tempo em que a lei não considerava as deficiências questões da educação e sim da saúde) compreendo o investimento financeiro que a escola tem para capacitar seus colaboradores, contratar cuidadores específicos, adaptar suas instalações e mobiliário para oferecer um serviço de qualidade e verdadeira inclusão ao estudante portador de uma, algumas ou muitas necessidades especiais.
    No entanto também compreendo que ter um estudante que traz, em seu dia a dia, desafios educacionais, físicos, emocionais e sociais é um “cartão de visita” a qualquer escola, pois a simples presença e interação deste indivíduo com os demais enriquece tanto esta instituição que a propaga elevando-a ao patamar de “escola capaz de atender a todos e a cada um”.

    Por este segundo motivo, inúmeras vezes, ao longo da vida de minha escola, 1972-1994, ofereci gratuidade ou descontos significativos às famílias de tais meninos e meninas, por ter conhecimento que as mesmas sempre estavam em labuta financeira para arcar com os altos custos dos medicamentos, das camas e cadeiras especiais, dos aparelhos fisioterápicos adequados, dos tratamentos dentários especializados, do pagamento das fonoaudiólogas, psicólogas, neuropediatras e outros profissionais que são necessários para a composição da rede que deve se formar envolta de todos e de cada um dos estudantes. Aliás, acho que a luta deve ser também para garantir gratuidade nos diagnósticos, acessórios e demais cuidados citados acima.

    Após anos recebendo e atendendo muitos meninos e meninas com descontos em suas mensalidades e até gratuidade, posso afirmar que nunca me arrependi ou tive algum prejuízo financeiro, pelo contrário, naquele tempo recebi diferentes respostas de pais ao responder a clássica pergunta: “Por que escolheu esta escola para seu filho?” entre elas destaco duas bem comuns: “Vi o trabalho que esta escola fez com o fulano que está bem desenvolvido e tenho certeza de que o meu, que não tem todos os comprometimentos dele, vai se desenvolver muito por aqui.”; ou mesmo “Porque quero que meu filho aprenda a conviver com todo tipo de pessoa”.

    Na época tinha o prazer de atender estas crianças e capacitar a mim e a equipe para cumprirmos com o conceito de inclusão que definimos assim: “O aluno estará incluso em sua comunidade escolar quando apresenta constantemente progressos cognitivos e progressos na construção de sua auto-imagem positiva; demonstrando que está desenvolvendo a confiança em si mesmo, se relacionando socialmente com todos, tomando consciência de si mesmo, construindo sua cidadania e conquistando sua autonomia.”

    Hoje tenho como verdadeiro premio, o troféu de saber que contribuí com a inserção e dignidade de muitos cidadãos, pois todos nós e cada um de nós temos muitas necessidades especiais.

    Como diz Maria Teresa Eglér Mantoan “Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças.”

     

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