Educadores

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    JUL

    2017

    O planejamento na Educação Infantil como ferramenta de reflexão

    por Gabriela Guth em 25/07/2017

    Considerando que o planejamento é um instrumento metodológico que tem a finalidade de proporcionar uma orientação do processo e não restringir ou limitar o espaço educativo, o texto “Planejamento na Educação Infantil: mais que a atividade, a criança em foco”, de Luciana Ostetto, traz uma abordagem crítica sobre o papel do planejamento dentro do desenvolvimento do processo educativo e da criança. A autora busca conscientizar o leitor sobre a dimensão que o planejamento educativo pode alcançar quando utilizado com intencionalidade de fazer parte de um processo reflexivo maior.

     

    Nesse sentido, a elaboração do planejamento pressupõe uma análise crítica do educador sobre quais as temáticas, crenças ou princípios que este entende serem necessárias de se trabalhar no espaço escolar. Assim, o produto que o educador irá construir, o planejamento, traz implícito sua leitura de mundo, sua concepção de infância, bem como a função que este deve ocupar dentro da dinâmica de aprendizagem. Considerando o planejamento como instrumento metodológico de ampliação das possibilidades e não de limitação do espaço, este deve ser construído constantemente ao longo do percurso na interação entre educador e educando. De modo que deve-se ter em mente a flexibilidade como ferramenta essencial para o desenvolvimento de um trabalho coerente com a realidade apresentada pela sala de aula e trazida pela leitura de mundo dos educandos.

     

    Compreendendo a diversidade e individualidade que cada educador apresenta ao produzir um planejamento, a autora aborda diversas perspectivas de forma e conteúdo que poderiam servir para orientar a construção de um plano de aula. A intencionalidade do educador ao realizar uma determinada forma de planejamento é constante discutida pela autora ao longo do texto, que traz  a tona a importância de pensar no por quê se utiliza uma determinada formatação, e qual a real intenção e profundidade que um planejamento pode alcançar quando feito sob a égide de uma atitude reflexiva e crítica do educador. Assim, o importante a se observar na construção de uma proposta de planejamento tem mais proximidade com a atitude reflexiva do educador do que se poderia imaginar.


    O posicionamento da autora reflete a necessária preocupação que se deve ter com o contexto educativo em que a escola/sala está inserido, envolvendo atividades que sejam condizentes com os desafios e superações enfrentadas por aquelas crianças, a fim de que a atividade possa proporcionar experiências significativas dentro daquele contexto.  Ainda, concordo com a autora quando esta se posiciona no sentido de discutir criticamente  o que é considerado como situação significativa dentro do espaço escolar, afirmando que o ponto de partida se dá a partir da observação das crianças.

     

    Particularmente, acredito que o papel do educador é ir além disso e efetivamente construir coletivamente com os educandos, respeitando e levando em consideração o que os intriga e os atrai a experienciar e conhecer. Acredito que um dos erros mais significativos que um professor pode incorrer é achar que na prática educativa devemos realizar um planejamento para as crianças, enquanto, em realidade, penso que quando compreendermos que devemos fazer juntamente com as crianças conseguiremos elevar a dimensão do processo de aprendizagem.

     

    Referência:


    Planejamento na Educação Infantil: mais que a atividade, a criança em foco” do livro: OSTETTO, Luciana. Encontros e Encantamentos na Educação Infantil.

     
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Gabriela Guth

Gabriela Guth

Advogada formada pela PUC - SP. Consultora e Educadora Social com especialização em Educação Popular dentro da pedagogia de Paulo Freire. Atua no Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, no desenvolvimento de políticas e ações sociais voltadas para garantia dos direitos humanos. Com experiência no trabalho em defesa do direito a moradia, na assistência a adolescentes em situação de extrema vulnerabilidade social e no monitoramento de ações judiciais referentes aos direitos territoriais de comunidades indígenas e quilombolas no Brasil.