Educadores

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    JUL

    2015

    Autonomia x Sujeição

    por Leonardo Garin em 20/07/2015

    Existem duas teorias para compreender a Escola, a primeira se fundamenta sobre a tese que a escola é um instrumento de inserção social e assim deve utilizar seus instrumentos para integrar todos os novos cidadãos a sociedade. A segunda teoria entende que a Escola é prioritariamente um aparelho de exclusão, e condiciona as pessoas em diferentes grupos sociais.

    Obviamente que essas idéias se misturam e atuam de forma compartilhada e partilhada no seio de nosso sistema educacional. Tanto escolas particulares, quanto escolas públicas encontram dificuldades na forma de incluir a todos de maneira homogenea, tendo sua parcela de contribuição na exclusão de grupos sociais de dentro para fora e de fora para dentro da Escola. Nesse ambiente, carregado de simbolos e valores, estão pessoas trabalhando e seres se formando, cumprindo ordens e reproduzindo filosofias pessoais e coletivas.

    Diante desse cenário é importante compreender a organização interna da escola, como é articulada e qual é a forma que seus integrantes se relacionam, sendo elemento de diferenciação a metodologia que cada escola busca aplicar.   

    Se considerarmos a Escola enquanto uma organização que visa servir seus clientes (independente de ser ensino público ou privado), como devemos compreender os trabalhadores dessa sistema? E qual deve ser a organização de seu trabalho? Estruturado por um coordenador ou administrado pelos próprios professores? Deve seguir os ditames dos estudantes ou buscar a melhor formação, mesmo que o processo não agrade os estudantes?

    Essas são algumas questões que podem surgir quando olhamos para a Escola e a forma de seu funcionamento. Modelo que tem sua origem, e ainda maior contribuição estrutural no Ratio Studiorum uma carta de valores de conduta para educação criada pela igreja entre os séculos XVI e XVII. Nesse documento já haviam contidas as formas de comportamento do professor em sala de aula, as obrigações dos estudantes e os trabalhos dos coordenadores de curso, em conjunto com os pedagogos.

    Já naquela época arcabouço de comandos burocratizou a rotina dos professores, assim como o conhecimento sistematizado que foi sendo implementado vagarosamente em compania do desenvolvimento científico e o consequente aumento na importância do pensamento catedrático vindo da Universidade.

    Naturalmente, o comportamento dos professores foi evoluindo na mesma medida que a complexidade das escolas foi aumentanto. Atualmente, os professores se fecham em suas sala de aula e tomam conta do tempo, compartilhando com os estudantes o assunto que lhes for mais importante. Essa autonomia é sentida por muitos professores. Esses são felizes em sua labuta, principalmente por acreditar que tem liberdade de escolher o que falar, como falar e a forma como vão trabalhar o assunto. Fazem-se confortáveis e sentem-se ouvidos e respeitados. Concomitantemente, existem profissionais que não se somam a essa opinião e se sentem cerceados em suas opiniões, ações e atitudes. 

    O ensino dividindo-se em público e privado poderia prover uma resposta a esse sentimento. Porém ela não se faz presente nessa divisão. Professores da rede pública e da rede privada encontram cenário similar quanto a liberdade de exercer seu trabalho. Isso é um fato tácito, que muitos profissionais não conseguem perceber por estarem tão envolvidos com a realidade estrutural que naturalizaram suas condições.

    Qual é a autonomia que temos para desenvolver projetos, fazer inovações avaliativas, modificar a rotina da aula, trazer questões contemporâneas para a escola e questionar o conhecimento dos livros didáticos? Seria a escola pública mais fechada a essas mudanças? Ou seria o ensino particular? Existe realmente uma divisão clara na forma de conduta do ensino?

    A contribuição que vem a partir desses questionamentos é refletir sobre questões acobertadas pelo hábito, a rotina e a tradição.

     

     

     

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Leonardo Garin

Leonardo Garin

Educador formado em Ciências Sociais pela UFPR e pedagogo em formação, contribui com o processo educacional de crianças, jovens e adultos há mais de 10 anos.