Educadores

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    JAN

    2017

    O mudança é apenas um rumor antes de habitar o corpo

    por Leonardo Garin em 31/01/2017

    Para boa parte dos professores, o começo do ano, momentos de morrosidade, relaxamento e descanço, é quando a mente passa a ser habitada por diversos pensamentos não comuns. Daqueles que ganham força e nos fazem sonhar alto, imaginando algo diferente, a mudança verdadeira, a quebra de paradigma e a reconstrução de novas realidades. Essas idéias são pertubadoras pois criam o conflito com antigas práticas e métodos mas não nos tiram a calma e a tranquilidade, pois não estão sendo aplicadas, não estão gerando conflito. E além disso, já se sabe que mudanças não acontecem do dia para a noite, e que revoluções não chegam de kombi qualquer dia desses.

    Entretanto, mesmo as perspectivas de mudança habitando apenas o mundo das idéias, elas fazem parte de nosso ser, ajudam a construir atitudes e comportamentos frente a situações reais. São elas que nos conduzem no aperfeiçoamento de nossas metodologias e atividades aplicadas em sala de aula. Nesse quesito é importante saber qual é o valor fundamental para o real desenvolvimento do estudante que nossa sociedade precisa. Devemos nos perguntar “porque somos professores?” Não quero entrar aqui em um dilema situacional e econômico, mas tentar resgatar o valor fundamental da profissão, uma retrospectiva ética, que vai além dos professores, e engloba a razão de vivemos em sociedade.

    O motivo de sermos professores não aceita resposta curta e direita, mas uma explicação complexa e sistêmica.  O ponto fundamental em que a sociedade se baseia é o comprometimento social. Um tipo de acordo em que todos nós “assinamos” quando nascemos, onde existe o compromisso de contribuir para que a sociedade aconteça. Porém, a maioria dos educadores não está comprometido com o crescimento coletivo, mas indivídual. O desenvolvimento que preocupa é sempre o do fulaninho ou do cicraninho, poucas vezes olhamos o sistema complexo de forças que se intercalam e se sobrepoem. O fato é que não existe culpado. Somos todos parte da forma atual de viver e que impulsiona o mundo.  Temos que desenvolver essa consciência o suficiente para compreender o funcionamento da sociedade, caso contrário continuaremos vivendo na inércia. Acometidos por uma ilusão de consciência e salvação individual que nunca bastará.  Já estamos tão atolados de obrigações e deveres que, mesmo não concordando, deixamos injustiças acontecerem bem de baixo do nosso nariz. E o pior é que nos acostumamos a essas condições.

    É claro que todos gostamos de ter nossas vontades realizadas, mas precisamos exercer mais a condição de livre pensar e de transitar. A liberdade deve ser enaltecida e sagrada. Por mais que as opiniões não se aceitem, a liberdade é a única forma de evolução e conscientização real para que se viva em sociedade de uma forma saudável. Mas temos medo. Essa é a condição da inércia, que não nos permite mudar e trocar totalmente de vida. É o medo que sentimos de perder aquilo que valorizamos. Mas devemos lembrar que a valoriação é apenas um reflexo de símbolos socialmente organizados e aceitos. É fruto da criação humana,  da mente humana e, pode assim, ser superado e alterado.

    A mudança passa por nós mesmos, por nosso trabalho e, principalmente, por nossa mente. 

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Leonardo Garin

Leonardo Garin

Educador formado em Ciências Sociais pela UFPR e pedagogo em formação, contribui com o processo educacional de crianças, jovens e adultos há mais de 10 anos.