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    MAR

    2017

    Planejamento, qual é o seu valor?

    por Leonardo Garin em 13/03/2017

    Todos temos metas a cumprir. Isso é rigorosamente uma constante quando observamos as profissões no mundo moderno. Por mais que seja um trabalho em casa ou uma cooperativa, as metas impulsionam a condição da melhora e do desenvolvimento pessoal e, finalmente, do grupo. Para que as metas sejam atingidas com maior facilidade e tranquilidade, desejamos, imaginamos e planejamos condições de trabalho ideais. A lei do mínimo esforço também entra nessa lógica. Queremos atingir metas, mas sem o desgaste. Não queremos desperdiçar energia vital em apenas uma função, pois temos muita coisa para fazer.

    São essas as razões de planejarmos nossa conduta. Para que o planejamento aconteça, temos que considerar o mais importante. O tempo. E para isso, planejamos as atividades como se o tempo fosse uma variável rígida, manipulável e cambiável. Além disso, partimos da perspectiva evolutiva do tempo, considerando possível sua acumulação e progressão. Consideramos que o tempo se soma, adiciona valor ao produto final. Se aprendemos algo hoje, temos a idéia que saberemos mais amanhã, sendo melhores. Se passamos por uma situação desconfortável, sabemos que ela não será tão desconfortável em algumas dias, meses e anos. Tudo é superado pelo tempo. O tempo se torna um bem material com valor em si mesmo, marxistas já lembrariam que vendemos nosso tempo por valor de troca. Fazemos dinheiro através do tempo. As pessoas nos pagam dinheiro pelo nosso tempo. Ganhamos por compartilhar nosso tempo.

    Partindo dessa lógica, vemos interesse no tempo. Vemos interesse não apenas no tempo, mas em tudo que fazemos em relação ao tempo. O tempo não é apenas condição para atingir metas e objetivos, mas ele também é interesse pessoal em desenvolver habilidade e acumular capital. Essa complexidade temporal traz as relações sociais a mesma complexidade, pois as relações criadas e medidas pelo tempo tem diferentes razões. E por ter diferentes razões é que podemos manipular o tempo.

    Utilizando uma aula como exemplo podemos ver que o professor tem claro interesse em acumular capital, isso depende do tempo. Porém sua acumulação de capital está diretamente condicionada a evolução acadêmica do estudante, que também está relacionada ao tempo. O estudante quer o conhecimento de forma rápida e não dolorosa. Depois de acumulado o conhecimento, o estudante parte para outro ensinamento. Quanto mais tempo gasto em um ensinamento, mais desgate haverá para o estudante e para o professor.

    O tempo para o professor deve ser lento, para o estudante rápido. O tempo para ambos deve ser acumulativo, ou seja, o conhecimento apreendido deve se perpetuar. Mas uma coisa é certa, quando o interesse econômico do professor entra em cena, sua intencionalidade é modificada e o conhecimento perde seu valor, pois o professor não vai querer que o estudante acumule conhecimento com rapidez, pois senão perde seu valor. É exatamente isso que vemos no sistema educacional atual. O conhecimento é servido de uma forma acumulativa ao estudante. Que aprende devagar e sem prática, um conhecimento superficial e frágil. Assim que sobe as escadas de sua formação o conhecimento vai ficando cada vez mais gelatinoso e sem funcionalidade. Sem referência prática, o estudante fica totalmente nas mãos de seu professor, que o entregará de bandeja as provas nacionais, Enems e Vestibulares. 

    O Planejamento é uma ferramenta importante para o professor. Não deve ser utilizado com o forma de perpetuação da precária situação em que vivemos, mas deve fazer com que a criança, desde suas fases mais primárias, se encante com o mundo e veja como os conhecimentos são aplicados, para que realmete influêncie e mude seu contexto. Caso contrário continuaremos a formar alienados, dependentes e aproveitadores do tempo alheio, o mais caro dos recursos que podemos disponibilizar.

     

      

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Leonardo Garin

Leonardo Garin

Educador formado em Ciências Sociais pela UFPR e pedagogo em formação, contribui com o processo educacional de crianças, jovens e adultos há mais de 10 anos.