Educadores

  • 14

    NOV

    2013

    A favor dos pequenos gestos (e da diferença que eles fazem)

    por Maria Amélia Cupertino em 14/11/2013

    Participei ontem do 4º encontro sobre educação democrática e escolhi ficar em um grupo de pessoas que trabalham em escolas públicas e que querem transformar esses espaços.

    Fiquei bastante emocionada com alguns relatos. Sobre a paixão e alegria de um grupo de adolescentes trabalhando de forma autônoma para construir um prancha ecológica.  Sobre o menino que só soube quando era seu aniversário a partir da descoberta, com a sua professora, da sua certidão de nascimento.

    Alguns educadores chegaram lá se sentindo sozinhos, remando contra a maré, e as vezes até duvidando de sua opção, tamanha é a tarefa: motivar os outros professores (cansados, indiferentes ou mesmo raivosos),  superar a apatia dos alunos, sem falar em toda o peso  da condição social das famílias.

    Outros, já estão em outra fase do processo, já constituem um grupo e estão pondo as ideias no papel, para começarem a quebrar as barreiras da burocracia.

    Sai de lá feliz e torcendo para poder contribuir o máximo possível com essa mudança.

    Mas também sai pensando muito em como nós temos dificuldade em dar o devido crédito aos milhares de pequenos gestos democráticos ou igualitários que acontecem numa cidade como São Paulo. É como se só pudéssemos ver a beleza quando todo o cenário é belo, desprezamos os detalhes, as intenções, e nos amparamos apenas nos modelos mais acabados, mais completos.  E esquecemos que eles só surgem daquele momento solitário de uma pessoas que sonhou, que ousou pensar diferente.

    ...

Maria Amélia Cupertino

Maria Amélia Cupertino

Formada em Ciências Sociais pela USP, com mestrado em Educação na UNICAMP, e especialização em História Oral pela Essex University, na Inglaterra. Foi professora de Ensino Fundamental, Médio e Superior (UNIP, Escola de Sociologia e Política). Foi pesquisadora na UNICAMP na área de políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes. Trabalhou na Fundação Abrinq na análise e financiamento de projetos para melhoria do ensino público (Programa Crer para Ver). Desde 1998 trabalha como Coordenadora no Colégio Viver.