Educadores

  • 05

    MAI

    2015

    Precisamos educar para compreensão do outro, para que este possa entender o que foi dito e comunicado

    por Nicole Rebeca Levy Plapler em 05/05/2015

    Como ultrapassar as barreiras da comunicação entre as diferentes subjetividades?

    Se ouvimos com o nosso, e só nosso, modo peculiar de entender e perceber o mundo, nossa escuta está completamente contaminada pela nossa historia, pelos nossos sentimentos, nossas emoções e tantas vezes por nossas próprias vísceras!

    Pode se preparar a criança para esta que é uma das maiores dificuldades do ser humano?

    Entender, mas entender de verdade, os diferentes modos de perceber e escutar o que o outro diz;

    "Cada um é um", "respeitar as diferenças" etc etc.... São frases que se perdem no vazio da incompreensão, nas reais dificuldades de entender o que foi comunicado.

    Parece que para conseguir este " ato heroico" leva-se anos e mais anos!

    Como encurtar este caminho? Facilitar esta trajetória, torná-la menos árida e árdua, parece um dos objetivos fundamentais, para nossos educadores.

    Como fazer isto na prática? Desenvolver esta habilidade na criança, desenvolver este instrumento para que quando adulto as diferenças e divergências não sejam ouvidas como ATAQUES.

    Diferentes modos de ver e entender a vida são comuns, desde interpretações dos " textos", de literatura, até um prosaico "oi, como vai, tudo bem?”.

    Quantos dissabores, dores, dificuldades, conflitos, seriam evitados se houvesse a real compreensão do que o outro quis dizer. O seu olhar, seu lugar, seu ponto de vista. Por mais identificado que sejamos com ele, o que possuímos de mais precioso é o nosso modo de ser, que é único, que nos diferencia e nos marca como humano. A especificidade dos arranjos e elaborações que pudemos fazer do vivido, do experenciado.

    O que nos distingue e nos define pode facilitar e marcar nosso lugar no mundo, ou nos jogar na mais profunda solidão, se mal interpretados, mal ouvidos, mal escutados!

    O sim pode ser ouvido como "não", o não , como talvez, o " talvez" como sim e neste momento a palavra que poderia ter sido o instrumento de aproximação a conteúdos ou pessoas, nos distancia de quem e do que gostaríamos de ter nos aproximado.

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Nicole Rebeca Levy Plapler

Nicole Rebeca Levy Plapler

Pedagoga formada pela USP, psicopedagoga, terapeuta familiar e psicanalista pelo SEDES. Trabalha em consultório particular desde 1985.