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    MAI

    2015

    COMO VÃO AS CRIANÇAS NESTE PLANETA TERRA?

    por Regia Potenza em 27/05/2015

    Sabe cheguei naquela idade em que não aguento mais seminários, fóruns, cursos, mestrados, congressos e tantos outros formatos que hoje em dia só servem pra pensar, discutir e como resultado só boas intenções documentadas em belíssimos relatórios repletos de frases embasadas nos teóricos em moda.

    Não aguento mais encontrar humanos que, lá no seu íntimo, sabem as respostas para todas as questões que estão se propondo a responder e se recusam a aceitar. Também não aguento mais gente que diz estar preocupado com, sei lá, o futuro do Planeta, por exemplo, mas não abre mão de seus velhos hábitos consumistas e capitalistas.

    Farta de conversa fiada. Farta de manifestações. Farta de gente que prega uma vida humana e age como se nada estivesse atingindo os humanos dentro da própria casa. Cansei de lamentação. Recuso-me a participar dessas relações falsas, desonestas e hipócritas. Tampei meus ouvidos ao blá blá blá. Também não participo mais de euforia de vitória, algazarra de comemoração.

    Engavetei todos os Planos. Hoje vivo de sonhos. E estes não tem caminho traçado com antecedência. Estes são o caminho que se vai caminhando aos tropeços, a largos passos, engatinhando ou flutuando. O que importa é aquilo que vivencio... Aquilo que minha percepção consegue enxergar... O que meu corpo consegue traduzir em gesto... O que minha amigdala absorve do exterior para prover as emoções.

    Cheguei num ponto em que passei a acreditar menos em palavras lidas e faladas e mais em ações que são outra linguagem entre as infinitas linguagens. Eu mesma com o passar do tempo fui parando de dizê-las – para expressar minhas ideias – e passei a fazê-las. Ainda não me libertei da escrita. Talvez eu ainda guarde a impressão que a escrita tem que ser mais verdadeira, pois está impressa, registrada. Fica mais difícil desdizer.

    Não quero mais saber de notícias que tenham relação com dinheiro. Portanto, sobrou muito pouca notícia que eu queira saber.

    Mas tem notícias que me interessam. Aliás, são as poucas notícias que me interessam: como vão as crianças humanas deste Planeta Terra habitado por 7 bilhões de humanos , sendo que 27.4% da população mundial está abaixo dos 15 anos de idade - aproximadamente 2 bilhões e cem milhões de crianças e jovens.

    E eu quero saber delas.

    Quero saber. Porque, assim como a maioria dos outros animais, elas são vulneráveis. Quero saber o que os adultos humanos estão fazendo pelas crianças, já que pelo que me consta não sabem cuidar da própria vida no planeta de forma sustentável. Estão matando a galinha dos ovos de ouro na ganância de querer o ouro todo já, hoje, agora.

    Mas... E para quando as crianças crescerem?... Deixarão nem o esqueleto.

    Quem está preocupado com as crianças e quando elas crescerem? Eu conheço um punhado dessas pessoas. Nem preciso citá-las, pois elas sabem quem são.  E não estamos mais preocupados em estudar as fases da infância e da adolescência. Nem em conhecer os teóricos e suas metodologias. Muito menos em estudar didática nos velhos compêndios ou preparar “aulas”. E principalmente, nem pensamos em fazer “reformas” no sistema de ensino ou no currículo escolar. “Reformas” não são suficientes. Redecorar também não. Mudanças sim.

    O que fazemos e que consideramos O mais importante é: CAMINHAR COM A CRIANÇA. Olhar pra ela, ouvi-la, entendê-la, respeitá-la em sua singularidade para conferir-lhe dignidade. Trata-la como uma criança humana que será um adulto humano.  

    Parece simples demais pra você? Então porque ainda não fizeram e continuam ocupam-se com ideias de “reformas” mirabolantes?

    Por acaso já viu florescer margaridas numa roseira?

    Ou será que é isso mesmo que os adultos de hoje desejam... Conformar as roseiras para que deem margaridas (porque são mais lucrativas)? Adultos assim devem se achar o máximo do civilizado, ou talvez um deus interferindo radicalmente na Natureza! Nem perceberam que estão cavando o buraco da própria extinção humana.

    Eu prefiro as roseiras onde florescem as rosas. E isto não é uma ideia, é uma questão de decisão e ação.

    ...

Regina Potenza

Regina Potenza

Regina Potenza é Professora especializada em Educação Infantil; Pedagoga pela FMU. Autora de “Cala boca...já morreu!” Atualmente na função de Professora da Rede Municipal de São Sebastião – SP onde já exerceu as funções de Direção e Coordenação Pedagógica. Reside em Boiçucanga e participa do “Grupo do Livro” que se reúne semanalmente para ler e conversar sobre a leitura de diversos títulos e diversos conteúdos e autorias. Integra também a Rede Românticos Conspiradores.