Educadores

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    MAI

    2015

    Consulte sempre um(a) pedagogo(a) antes de mudar o formato do ensino/aprendizagem

    por Regina Potenza em 27/05/2015

    Não é mais possível manter um formato que foi útil no passado, definindo conteúdos conceituais que a professora deveria dominar e transmitir em 50 minutos às crianças e jovens e que eram considerados suficientes e necessários para “passar de ano”, sendo classificadas por idade/série com notas ou menções. Este formato, que persiste ainda hoje é, em parte, responsável pelo mito da incompetência quer das professoras, quer dos estudantes uma vez que os “objetivos” definidos especialmente pelo mercado de trabalho a serem alcançados por ambos nem sempre correspondem a suas habilidades humanas e a seus sonhos e projetos de vida, mesmo que esta aconteça nos grandes centros urbanos, onde está a maioria da população brasileira. E onde a maioria dessa maioria vive em condições precárias e insalubres preparando-se para um mercado de trabalho que tende a desaparecer e se transformar.

    Enquanto isso, no espaço criado para uma "ilusória sistematização da aprendizagem", pois esta ocorre todo tempo e em qualquer espaço, a professora, a “aula”, os Planos de ensino, as avaliações e seus “alunos” (ser sem luz) fracassam aos olhos das pesquisas.

    Chego a ver com bons olhos esse fracasso!

    Pode significar que as professoras, as crianças e jovens não se conformam ou não querem se conformar, entrar na forma.

    O que eles querem é viver uma vida plena e humana e não só aquela que lhes é oferecida na escola atual. Felizmente, a professora se inclui. Porque de lá de onde ela enxerga, convive e acompanha os estudantes, percebe e reconhece suas singularidades, sonhos e crescimento permanente. É lá que se aprende todo santo dia. É de lá que ela presencia a realidade: as crianças e jovens não param de crescer independentemente das nossas regras e formas e à revelia das oportunidades. Não param de aprender porque o currículo da vida só acaba com a morte, mas, infelizmente acostumam-se também a sobreviver. Não param de ter curiosidade natural; isso é próprio dos seres vivos para além da escola.

    É esta a realidade que a professora vive diariamente no convívio. Jovens a cada dia mais estimulados pelas mídias, ou jovens que não convivem com essa estimulação acelerada, jovens que engolem sapos ou se revoltam com a enorme desigualdade econômica, jovens atraídos ou alienados pelo massacrante exemplo corruptor, jovens que buscam a fagulha do prazer a qualquer preço até em situações duvidosas quando abandonados e excluídos do convívio social e seus valores estruturais, jovens que desejam ser alegres e realizar sonhos pessoais, jovens que desejam ser aceitos legitimamente em suas competências.

     

    No fundo o que a professora deseja é que tudo isso seja contemplado, porque é o que ela sempre desejou desde que era estudante. Então, não me venha com conversa fiada, dizer que a professora fracassou, não tem formação acadêmica adequada sendo que essa formação só lhe ofereceu esse formato antiquado onde sua práxis está vinculada aos planos de “aula”, criação de testes de múltipla escolha para avaliar habilidades variadas e notas de 0 a 10 para atribuir aprendizagem aos estudantes, aprovar ou reprovar, fazer recuperação paralela ou contínua etc.

    No melhor esforço de ambos, professoras e estudantes (incluindo o esforço da família), esse formato não é humano. E, a manter-se, fracassará. Esse formato desumano não tem fôlego para acompanhar as aceleradas mudanças pessoais e sociais sustentáveis exigidas na atualidade. Se o ser humano e seus movimentos (de “movere”) não se adaptarem rapidamente, não sobreviverão. Disso já sabiam Darwin, Humberto Maturana e Francisco Varella (só pra citar alguns).

    Consulte um(a) Pedagogo(a) – que ainda chamam de professor(a) – para mudar esse formato. Aliás, ninguém melhor para consultar. Garanto que ele sabe como fazer essa mudança tão desejada com uma simplicidade que vai deixar a todos boquiabertos. Sabe por quê? Porque ele(a) já faz isso todo dia na sua vida profissional inspirado em modelos inovadores de sucesso.  E pode sim “iluminar” essa transformação, além de ser mais feliz e bem sucedido (mesmo que ainda não valorizado).Experiência própria.

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Regina Potenza

Regina Potenza

Regina Potenza é Professora especializada em Educação Infantil; Pedagoga pela FMU. Autora de “Cala boca...já morreu!” Atualmente na função de Professora da Rede Municipal de São Sebastião – SP onde já exerceu as funções de Direção e Coordenação Pedagógica. Reside em Boiçucanga e participa do “Grupo do Livro” que se reúne semanalmente para ler e conversar sobre a leitura de diversos títulos e diversos conteúdos e autorias. Integra também a Rede Românticos Conspiradores.