Educadores

  • 29

    MAI

    2015

    O Brasil já é uma pátria educadora

    por Regina Potenza em 29/05/2015

    Gostaria de alertar, senhores do Planalto Central: O Brasil já é uma Pátria educadora. E os senhores são os professores mais competentes que já conheci.

    Conseguem se eleger como “representantes do povo”, aquele que é empregado nas empresas que mandam nos eleitos. Depois, legislam a vida do povo que paga os impostos (um dos maiores do mundo) em benefício das empresas que os colocaram no poder. Recebem, além de salário absurdo, verbas astronômicas que o melhor do povo nunca vai ter e que é o mesmo que lhe confere esse direito sem reclamar.              

    Conseguem dispor da verba do povo pra construir estádios, shoppings no Congresso (só pra falar de coisas recentes) e não se ouve uma panela do povo.

    Não tem a menor vergonha de serem acusados há muitos anos de fraude, desvio de dinheiro público, contas na Suiça, enriquecimento ilícito, corrupção, formação de quadrilha, recebimento de propina, até avião com muita droga, mídia comprada, qualquer aberração em nome da riqueza e do poder que a riqueza lhes confere e continuam lá à revelia da justiça.

    Sentem orgulho de vestir a camisa da seleção brasileira de futebol mesmo que seus os dirigentes estejam presos – já havia denúncias de bons brasileiros há anos - e nem foi a Polícia brasileira que o fez. Que vergonha.

                    Pátria educadora sim. Já somos. Aquelas horinhas que as crianças passam na escola não estão fazendo a menor diferença na construção de valores cidadãos. Ou então... esses senhores não teriam passado pela escola?!

    Aliás, tem governador que nem liga se professor(a) está em greve. Professor(a) é insignificante. Nem vou comentar o massacre dos professores de Curitiba. O sujeito teve a cara de pau de dizer que está sendo prejudicado. Dá licença, vou ali buscar o meu nariz de palhaço e já volto. Tem governante que colocou a Polícia Militar pra dirigir escolas. Tem governante incentivando a privatização da escola. Enquanto isso, os chefões do tráfico ocupam o espaço.

                    E o resultado é esse: brasileiros “educadíssimos” que aceitam toda essa injustiça calados como moscas mortas e praticando os mesmo delitos que lhes serviram de exemplo, em pequeníssima escala, admito. E digo mais, a Pátria educadora entende que a solução pra todos esses problemas está em responsabilizar as crianças (maioridade penal) e os(as) professores(as) atribuindo-lhes toda a responsabilidade do fracasso da educação.

                    Está na hora de comprar um espelho e olhar bem pra sua cara todo dia, Pátria educadora.

                    As crianças e jovens aprendem pelo exemplo. E qual o jovem que quer seguir o exemplo do(a) professor(a)? Olha aonde chegou com sua resiliência. Pode servir de exemplo para os alunos que desejam “sucesso”? Só rindo.

                    Urge restaurar a dignidade, a vergonha, a justiça, a responsabilidade por seus deveres além de ter assegurados seus direitos que, aliás, nem todo brasileiro sabe quais são porque não aprendeu em casa, nem na escola e muito menos nos programas de TV aberta que costuma assistir.

    Em uma entrevista concedida à GNT, o ex-ministro da Educação da França, Ferrè, respondeu sobre o motivo pelo qual ele não voltará à política, mesmo se convidado. As palavras foram mais ou menos estas: quando chegou ao Ministério, entregaram-lhe um cavalo. Achou tratar-se de um cavalo de corrida e que, quanto mais rápido implementasse as ações para solucionar os problemas da educação na França, mais venceria a competição e se manteria no cargo. Aos poucos, foi percebendo o engano. Não se tratava de um cavalo de corrida, mas sim de um cavalo de rodeio. Quanto mais quieto ficasse na cela, driblando os problemas, mais chance tinha de se manter no poder.

    Bela metáfora! Aplica-se perfeitamente à situação do Brasil. Estou generalizando, sim, porque esse direito me foi concedido pela omissão dos que podem até ser “educados”, mas que nada tem feito para mudar essa situação. Passam assim a serem coniventes.

    “Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha que se vender para alguém.” (Rousseau)

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Regina Potenza

Regina Potenza

Regina Potenza é Professora especializada em Educação Infantil; Pedagoga pela FMU. Autora de “Cala boca...já morreu!” Atualmente na função de Professora da Rede Municipal de São Sebastião – SP onde já exerceu as funções de Direção e Coordenação Pedagógica. Reside em Boiçucanga e participa do “Grupo do Livro” que se reúne semanalmente para ler e conversar sobre a leitura de diversos títulos e diversos conteúdos e autorias. Integra também a Rede Românticos Conspiradores.