Educadores

  • 25

    JUN

    2015

    A Criança e a Crise

    por Regina Pundek em 25/06/2015

    A palavra crise aponta diversas possibilidades de assunto. Poderíamos falar sobre a crise dos dois anos de idade, quando surgem as birras nos bebês. Sobre a crise ambiental, tão comentada com as crianças até mesmo deixando-as assustadas com seu futuro. Sobre a falta de comunicação olho-no-olho que gera a não empatia e consequente crise social. Sobre a deterioração do ambiente familiar provocadora da instabilidade psicológica nas crianças.

    Olhando para as crianças que me cercam, com as quais convivo e trabalho, elegi a crise dos excessos e carências.  Essa crise os educa de forma torta, cala sua curiosidade natural, desperta espírito de comodidade e até de tirania, transforma-os em consumidores vorazes, em vencedores ou vencidos.  Rouba-lhes a infância e a criatividade, empurrando-os para um mundo pronto e descartável.  

    Há tantas crianças com carência de paciência e atenção, com excesso de telas produtoras de “cala-a-boca”! Há crianças com carência de estímulos positivos e com excesso de sentimento de incompetência!  Há crianças que carecem aval de permissão para coisas mínimas e que tem excesso de poder de manipulação. Há crianças com total carência da presença dos pais e com um excesso de brinquedos, que se pode traduzir como ferramenta de alívio da culpa que os adultos carregam! Parece tanto e é tão pouco. É falta de olhar, falta de ouvir, falta de tempo, de simplicidade, de amor.  De amor de verdade, que exige e dá modelo, que corrige e orienta, que aponta caminhos.

    Ouso afirmar que cada brinquedo novo nas mãos de um menino me desperta para uma de suas carências.  Ouso também propor aos pais que contem quantos brinquedos têm seus filhos.  E, prestem atenção para o valor que a criança dá a esses brinquedos. Prestem atenção para o que cada um desses brinquedos ensina.  Atentem se há em suas casas brinquedos que permitem a imaginação ou se são brinquedos que fazem tudo pela criança, que imitam personagens da televisão, que acendem luzes, que falam, que andam, fazem tudo sozinhos ... A criança de nossos dias é desrespeitada por esse excesso de brinquedos e por tanta carência de família.

    O nosso tempo é o que temos de maior valor. As crianças crescem muito rápido.  É hoje o dia de gastar tempo com elas, é hoje o dia de educá-las, de sustentar limites, de respeitar rotinas, de viver ritos familiares, de levá-las a passear pela natureza, de responder perguntas, de contar histórias e de abraçar. 

     
    ...

Regina Pundek

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica, Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.