Educadores

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    JUL

    2015

    A letra cursiva na era digital – para que?

    por Regina Pundek em 29/07/2015

    A invasão dos teclados digitais no nosso dia a dia sugere que a escrita convencional, papel e lápis ou caneta, têm seus dias contados.  Este é um assunto gerador de polêmica entre os estudiosos da educação, sejam eles pedagogos, psicopedagogos ou psicólogos.  Sabemos até que a Finlândia e também alguns estados americanos já dispensam a aprendizagem da letra cursiva por considerarem esta forma de escrita ultrapassada.

    Aqui no Brasil a alfabetização formal é feita com letra bastão porque a metodologia utilizada reconhece a necessidade da criança pensar quantos e quais signos produzem um som.  Depois que o aprendiz atingiu a fase alfabética é introduzido à letra cursiva (de mão), ainda valorizada socialmente entre nós. Contudo as nossas escolas evoluíram ao pontuar como desnecessário o domínio da letra cursiva para que o estudante seja considerado alfabetizado. Este ensino é defendido e praticado em todas as escolas brasileiras. Depois que domina estas duas formas de escrita o aluno tem a liberdade de usar aquela que considera mais prática, ressaltando a necessidade de que esta seja legível para diversos leitores, dentro e fora da escola e assim a comunicação, função da escrita, se efetive.  Sabemos que uma letra legível se conquista com prática e treino, e a criança que dos 3 aos 6 anos desenhou bastante consegue educar melhor o movimento da escrita, seja bastão ou cursiva.

    A necessidade de ensinar a escrever em letra cursiva é defendida porque permite um maior refinamento da coordenação motora fina, embora isso também possa se dar através de estímulos mais agradáveis e criativos, como brincar com massiva, argila, rasgar papel, recortar, pintar, desenhar, trabalhar num tear e até mesmo manusear o mouse do computador. Porém do ponto de vista didático, o uso da cursiva pode ajudar as crianças a refletir sobre a necessária segmentação entre as palavras e sobre a própria ideia de palavra.

    Independente da forma de escrever, cursiva ou digitada o importante é zelar para que a criança mantenha sempre o prazer de ler, escrever e aprender. Assim teremos a garantia de que se tornará um bom estudante, que construirá seu conhecimento sustentado no respeito dado a sua curiosidade e satisfação com as descobertas que for realizando em cada etapa de sua aprendizagem.  Cito como exemplo, Martha Payne,  garotinha escocesa, de nove anos, que criou um blog de crítica gastronômica e desta forma está estimulando a qualificação dos alimentos oferecidos em sua cantina escolar. 

    Considero importante ressaltar que na Educação Infantil, ou até os seis anos de idade as crianças precisam ser poupadas de exigências cognitivas. Sua alfabetização deve se iniciar a partir daí.  Até então elas precisam se desenvolver afetiva, motora e socialmente; a brincadeira sadia está no quintal das casas, nos parques e nos pátios das escolas. Vale ainda mencionar que, principalmente até esta idade, quanto menos telas e teclados melhor.

     

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Regina Pundek

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica, Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.