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    MAI

    2015

    Como ensinar a escolher

    por Regina Pundek em 20/05/2015

     

     O garoto tinha recém mudado de escola. Era aula de literatura. Ele chamou a professora que escrevera o título de um livro na lousa e questionou de que se tratava.  Ela respondeu que os alunos deveriam comprar aquele livro para ler e discutir em classe.  O garoto não pode calar: mas professora, por que todos leremos o mesmo livro e um livro que você escolheu?  A professora surpresa quis saber como ele sugeria que fosse e o garoto perguntou: por que os alunos não podem eles mesmos escolher o que querem ler?

     

    Essa pequena história foi relatada pela professora para a mãe do garoto, na primeira reunião de pais e mestres.  A professora estava encantada com a postura do garoto e queria saber de qual escola ele viera. Era uma escola que respeitava a curiosidade de cada aprendiz e oferecia-lhes oportunidades de escolher.  Vale dizer que a família do garoto também é incomum; valoriza o processo de aprendizagem e não somente os produtos, ou seja, as notas. Simples assim. Caso raro...

     

    Eu acredito que o desenrolar da aprendizagem das escolhas e decisões é algo que não se ensina diretamente;  se dá através do desenvolvimento da autonomia, da oferta e avaliação de opções e, do apoio à vivência de perdas e frustrações. Quando a criança recebe esses estímulos ela escolhe e compreende as consequências de sua decisão; as perdas e possíveis ganhos. As famílias precisam compreender a necessidade de seus filhos viverem a superação de frustrações e isso só é possível quando eles vivem frustrações reais e significativas. É claro que não estou falando de humilhação, muito menos de agressividade. Estou falando da superação de si próprios, da saída do egocentrismo para a realidade da vida em comunidade.  E, para que isso aconteça de maneira produtiva a criança deve ser considerada capaz! A leitura de incapacidade feita pelos pais dificulta e desempenho saudável dos filhos.

     

    Ao oferecer oportunidades de escolha e permitir que as crianças tomem decisões simples em seu dia a dia, os pais ajudam na construção de suas identidades para que se tornem sujeitos de suas próprias histórias. Isso construirá seres pensantes e não meros reprodutores de comportamentos treinados para a produtividade, para o consumo e aceitação social.

     

    Crescer aprendendo a avaliar as opções e as oportunidades de decisão há de preparar nossos jovens aprendizes para as mais diversas situações da vida adulta, seja a escolha de bons amigos, do curso superior, da escola para seus filhos ... dos candidatos numa eleição, entre tantas outras. 

     

    Quero encerrar essa reflexão com uma frase do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar.  “Não há como ensinar o outro a escolher, toda escolha depende da capacidade de suportar perdas”.

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Regina Pundek

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica, Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.