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    MAR

    2017

    Empatia e Comunicação - Educação Infantil

    por Regina Pundek em 22/03/2017

    As nossas referências são a nossa força, a nossa fraqueza, nosso jeito de olhar, ouvir, agir, perceber o mundo e as pessoas.  Ao longo de toda a vida nos inspiramos em modelos, sejam eles profissionais ou pessoais.   Não é somente a criança que é influenciada constantemente pelos modelos, em especial daqueles mais próximos.  Nós, adultos, também sofremos essa influência.  A criança manifesta claramente ao brincar de faz de conta, quando representa personagens de seu cotidiano e assim reelabora seus sentimentos e sua percepção da função de cada um dentro do contexto familiar.

    Estes modelos influenciam a comunicação entre as pessoas, visto que a compreensão do que se ouve só acontece depois que neurologicamente é feita a associação e comparação com os contextos similares. De maneira inconsciente são resgatadas na memória as vivências anteriores que então são confrontadas com o fato presente. A referência vai ser checada para então acontecer a compreensão e a reação.  Não reagir é também agir. 

    Na comunicação as reações estão saturadas de vivências tanto para um interlocutor como para o outro. Os cérebros ao ouvir comparam e associam buscando o entendimento.  A compreensão é individual e por vezes torna-se tendenciosa e preconceituosa, visto que cada um a elabora dentro de seus próprios parâmetros.  Ouvimos interpretando com base naquilo que somos, e somos formados pelos modelos que recebemos, copiando-os ou rejeitando-os, eles são parte de nós. Por isso, muitas vezes, as conversas não seguem os rumos que nos parecem os mais lógicos, práticos, objetivos ou calmos. Dentro desta percepção precisamos compreender que aquilo que consideramos lógico, prático, objetivo ou calmo precisaria ser também a referência do nosso interlocutor para que a conversa contente a ambos.

    Se os indivíduos forem pessoas cultural ou socialmente muito diferentes, então a coisa complica mais ainda!  As exigências para que haja diálogo e compreensão serão imensas.  Além dos fatores já apontados acima acontecerão também outros dificultadores como linguagem e vocabulário.

    Afinal como se realiza a comunicação humana? Por que nos permitimos relacionar e conviver? É simples.  O que nos encanta são as nossas diferenças!  Quando nos interessamos ou mesmo nos enamoramos de alguém ou de algo isto acontece porque apreciamos o que nos completa, complementa ou desafia a buscar novos conhecimentos.  Assim surge a sinergia que move reciprocamente as pessoas no intuito comum. Há um desejo de estar junto, saber o que o outro pensa, conhece, sente e como age e reage.

    Assim fica mais fácil entendermos porque os relacionamentos tendem a terminar depois de algum tempo. Na medida em que um se torna muito conhecedor do outro, esvai-se parte do encantamento, da vontade de compreender, de deixar de lado as velhas referências e enxergar o mundo com os olhos da outra pessoa. Garantidamente aquilo que hoje os afasta, em princípio é o que os atraiu.  Se antes as diferenças atraiam, a partir do momento em que as pessoas se conhecem bem, estas mesmas diferenças começam a sufocar, pois surge o desejo, mesmo que inconscientemente, de que o outro nos compreenda integralmente, seja nossa alma gêmea, sinta, pense e aja como nós.  Este comportamento torna-se arraigado àquela relação específica. 

    Daí surge a necessidade de uma espécie de inteligência relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia. É a empatia. Somente quando há empatia, conseguimos uma resposta afetiva apropriada à situação da outra pessoa, e não à própria situação.

    Retornando a infância.  O ser humano nasce egocêntrico e a sua capacidade de conviver, de aceitar o outro é um processo longo.  A criança começa olhando para si, se reconhecendo como indivíduo singular dentro de um contexto social. Precisa aprender a expressar seus sentimentos, a buscar respostas para suas dúvidas, e também a ouvir,  aprender a criar regras e a respeitá-las.  E inserido neste movimento educativo tem-se que despertar nela a empatia pelo seu semelhante. Assim nossa ação será holística e o benefício não se restringirá somente a esta criança, mas se estenderá a toda a sociedade.

    A empatia qualifica a comunicação e facilita o respeito à diversidade cultural, biológica e social. A empatia valoriza os relacionamentos e orienta para que toda a maneira de ser seja aceita. A empatia qualifica o olhar sobre os que assumem o poder, estimulando que as pessoas se posicionem exigindo o que é justo para a sociedade.

    Dizer que as crianças são o futuro da nação tornou-se um chavão em desuso com o caos educacional gritando a todo pulmão. Elas são sim a garantia de um tempo melhor, se forem educadas de corpo, mente e alma. Que sejam!

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Regina Pundek

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica, Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.