Educadores

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    OUT

    2015

    Parceria entre a família e escola é fundamental para o aprendizado das crianças - Educação Integral

    por Regina Pundek em 14/10/2015

    Atualmente quando precisamos dos serviços de um profissional realizamos pesquisas cujo critério vai de currículo e experiência à proximidade.  Sabemos também que as indicações são fundamentais.  Quando um amigo nos sugere um profissional, relatando situações positivas que o fazem manter aquele contato, isto nos sugere bons serviços.  Dentro das mais diversas áreas é assim.  É sabido que, cada vez mais, com o avanço da ciência e conseqüentemente da tecnologia, o profissional mais procurado é aquele que está “up to date”, ou seja, o mais informado, o que mais estudou e permanece estudando sempre.  Não nos basta a formação universitária quando estamos buscando o melhor médico, queremos saber mais a respeito de seu histórico profissional, de sua ética.  Sua bagagem de estudos e vivências determina sua clientela.  E, podemos dizer o mesmo em se tratando de arquitetos, engenheiros, advogados, etc. A maioria dos profissionais sabe que aquele que parar de reciclar-se estará fora do mercado de trabalho.

    No Brasil, não podemos dizer o mesmo no que se refere ao profissional da educação.  Imponderavelmente o foco muda, fato este que contribui em parte para a desqualificação do sistema educacional de nosso país. Embora os professores saibam que precisam manter-se constantemente pesquisando e estudando, não é este detalhe que é levado em consideração pelas famílias quando firmam seus contratos com as instituições escolares. As famílias receiam o novo em se tratando de educação.  Os pais buscam a escola que remeta ao seu passado escolar, a escola menos ousada, menos avançada.  Esta demanda por “estabilidade” força o mercado de ensino a permanecer estático para atrair e fidelizar clientes.  Logo, nem sempre a escola que tem os professores mais atualizados e a metodologia mais avançada é a escola mais reconhecida e procurada pela comunidade.

    Pais bem sucedidos financeiramente pagam para seus filhos se tornarem também bem sucedidos financeiramente.  Seu referencial é este, seu receio do mundo competitivo é este, que seu filho não adquira as habilidades necessárias para manter o padrão de vida, ou ainda, aumentá-lo. Então estes pais procuram não ousar, sequer desejam refletir perante os novos caminhos que vem apontando. Até mesmo verbalizam: “Deu certo pra mim, dará certo para meu filho!” Mas o tempo não parou, muito pelo contrário.  Nunca dantes a ciência se desenvolveu tanto, em todos os segmentos.

    Desta forma muitos pesquisadores, estudiosos da educação esforçam-se para permanecer trabalhando focados na qualificação da metodologia em benefício da aprendizagem. Mas sempre se questionam por que é tão importante estudar e desenvolver-se nas mais diversas áreas, mas na área da educação privilegia-se o antigo? Aquelas escolas, aqueles professores que conseguem permanecer nesta batalha são reconhecidos a longo prazo por uma pequena comunidade, em geral de outros educadores.

    A partir do momento em que alguém se torna pai torna-se também, mesmo sem que o queira, educador.  Esta responsabilidade está implícita no papel de pai e mãe.  Então é preciso se atualizar, rever posturas e valores e refinar decisões. Reconhecer que não têm informações suficientes no assunto  e buscar informações é necessário para aperfeiçoar os critérios de escolha, principalmente em questões tão importantes quanto a escola que educa seu filho. É necessário saber o que de fato significam estes pequenos rótulos que circulam nas mídias qualificando, ou mesmo desqualificando, o trabalho de uma escola.  Afinal o que são as escolas democráticas? O que é o tal construtivismo? Sócio construtivismo? O que são as inteligências múltiplas?...  E mais ainda: O que precisa e deve aprender uma criança nas diversas idades da infância e adolescência? Qual o papel da escola, qual o papel da família? O que é Comunidade de Aprendizagem?

    Um profissional não pode firmar pé no pensamento de um único cientista, pois ele ficará parado no tempo.  Assim também é, acreditem, em relação às escolas. Elas não podem assumir um único pensamento ou uma metodologia exclusivista, que acaba se tornando excludente.

    Informar aos pais sobre o trabalho que acontece dentro das escolas é uma necessidade que se realiza quando os muros tornam-se invisíveis e as famílias são acolhidas como participantes do processo educacional ali realizado.  Sem que as famílias conheçam de fato a escola não há possibilidade de formarmos uma verdadeira rede de educadores qualificados, sejam eles os professores e os pais, e assim garantirmos que o processo de ensino e aprendizagem seja o melhor.

    Precisamos mudar a escola e melhorar a educação, pois somente assim vamos transformar nosso país num lugar mais justo, solidário e fraterno.

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Regina Pundek

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica, Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.