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Sami Elia

Sami Elia

Sami Elia é escritor voluntário do Portal do Educador.

  • 03

    MAI

    2018

    É o direito a moradia que está sendo violado

    por Sami Elia em 03/05/2018

    O que me move a escrever não é triste tragédia do Largo Paissandu, mas a sua repercussão. Vejo na televisão aberta  programas utilizando essa tragédia para ganhar audiência e para apequenar o pensamentos dos telespectadores.

    Isso mesmo, programas não apenas limitados, como limitantes, ou seja, perigosos. A formação de uma base de argumentos que nos faz pensar como pensamos no Brasil vem, infelizmente, da televisão aberta. Canais que deveriam nos ajudar a compreender e combater as causas dos nossos problemas sociais, preferem buscar culpados dentre as vítimas e encontrar heróis e vilões em dramaturgias épicas e emocionantes, o resgate vira um programa sensacionalista com narração espetacular para jogar nossa energia lá no alto em busca de um gol... mas que merda, isso não é um jogo de futebol..

    Será que esse enredo fantástico e fantasioso não se torna maior do que as pessoas, em outras palavras, será que essa perspectiva não diminui a relevância das dores das vidas humanas?

    A vida das pessoas que estão nessa situação sendo usadas e exploradas, com perguntas capciosas feitas para chegar a um objetivo já traçado antes mesmo do começo da entrevista. Nesses programas de baixo nível, entre as narrativas empolgantes, um caso de um homem que mantem refém a família, ou uma jovem que morre em acidente de carro após postar vídeo em mídias sociais e um anúncio do pastor que irá distribuir o sal de Jericó para destravar as portas da sua vida. É uma fortuna em cenografia, vestuário, helicópteros, equipamentos, rios de dinheiro usados para conservar a política do medo e da segregação. Transformar a realidade através do questionamento das causas desses acontecimentos é a última coisa que esses programas querem fazer. Do jeito que tá só com Sal de Jericó mesmo!

    Por que eles não tem coragem de dizer o que precisa ser dito? QUE NÃO PODEMOS ADMITIR QUE PESSOAS PASSEM FOME OU NÃO TENHAM MORADIA DIGNA, em caixa alta mesmo porque to cansado e indignado demais para não gritar! Ainda mais num país como o nosso, rico (sim rico). São direitos nossos, mas que graças ao medo e consequente segregação não ligamos para eles. Afinal não estamos com fome e moramos em um lugar digno. Mas É UM DIREITO NOSSO que esta sendo violado, também não podemos mais admitir esses programas sensacionalistas que tratam a vida como um filme de Tarantino, que desrespeita as vidas das pessoas e fazem espetáculos da tragédia. Que tratam a propriedade com emoções humanas e os humanos (pobres) como bandidos, ou o prédio SOFRE invasão não é uma manchete absurda? Quem sofre são as pessoas que sem ter onde morar ocupam um espaço desocupado, de risco e sem fim social para moradia. Repito, Prédio não sofre!

    Na minha opinião, o pensamento pequeno pode ser enfrentado, em primeiro lugar deixando de assisitir/ler ou buscando assisitir/ler criticamente a Televisão e os jornais e, por favor, não reproduzir esse lixo nas mídias sociais, frases prontas horríveis e cruéis sendo repetidas como verdades absolutas, escolher falar da falta de segurança do prédio ao invés de falar sobre o problema da moradia que faz com pessoas morem em situação de risco é uma decisão política e cruel SIM. Em segundo lugar o que faz o pensamento se ampliar é sua abertura, seja aberto e vá conhecer os movimentos sociais e as histórias das pessoas por tras deles. Empatia verdadeira pressupõe ação e escuta. Não adianta só usar empatia no discurso da reunião da empresa ou na aula de mindfulness. Empatia seletiva é conservar a segregação que é e sempre foi o grande problema social do Brasil. Ta na hora de nos unirmos, direita, esquerda, centro todos DEVEM lutar pelos direitos humanos. Isso é uma responsabilidade já assumida desde 1948 na assinatura da declaração universal dos direitos humanos, como uma forma de se evitar que algo como o holocausto voltasse a ocorrer e que o Brasil é signatário. Precisamos aprender com a história.

    Pensar pequeno é conservar um modelo de pensamento externo, sem nossa participação e experiência, em um ambiente que esta em constante mudança, o que faz com que seja retrógrado e ultrapassado em sua própria intenção.

    Tamanho do estado, economia, e todo o resto são consequência de uma uma discussão profunda, mas que deve ser feita por um povo mais honesto e justo, não existe povo corrupto e politica honesta, são mais que nossos representantes somos nós ali, nesses espaços de poder, na politica, na mídia, no judiciário. Não adianta olhar para questões políticas sem olharmos para as pessoas. Somos pessoas e todos queremos mais harmônia e paz.

    Engradeça seu pensamento, saia da bolha, se ofenda com esse texto, pense criticamente, se desarme. Escute quem ta na luta, quem sofre, quem não esta próximo da sua realidade.Transforme sua opinião com base nas pessoas e não com base no canal que quer somente sua audiência, dinheiro de publicidade e de quebra te dar um pouco do sal de Jericó.

     

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