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    ABR

    2018

    Planeta Social propõe gamificação como alternativa para que organizações alcancem a sustentabilidade desejada

    por Sami Elia em 17/04/2018

    Acumular conhecimento sobre as relações e a natureza humana nos possibilita criar e melhorar as ferramentas comportamentais que temos ao nosso dispor, mas sem uma reflexão ética de como usar essas novas capacidades, sem definir uma intenção e um objetivo que seja positivo para o coletivo, podemos acabar criando instrumentos modernos de fuga e opressão, fazendo a manutenção de um sistema que deve sempre estar em progresso, em troca de um mundo de ilusão e superficialidades, onde tudo e todos se transformam em produtos. Nosso desafio é aproveitar o desenvolvimento dessas novas tecnologias para atingir um objetivo comum, o objetivo de um mundo com mais liberdade, respeito a diversidade e consequente diminuição da desigualdade de oportunidades e harmonia com o outro e com ambiente em que estamos inseridos.

    Você pode não ter percebido, mas estamos passando pelo maior êxodo da história da humanidade. Sim é verdade! Estamos migrando do mundo real para o mundo virtual. Para termos uma ideia de dimensão desse movimento, são mais de 3 bilhões de horas por semana em todo planeta nas quais as pessoas estão jogando no mundo virtual, em consoles, aparelhos móveis ou computadores. Somente nos Estados Unidos mais de 183 milhões de pessoas estão jogando, pelo menos, 13 horas toda semana. No auge da curva mais de 5 milhões jogando, em média, 45 horas por semana só nos Estados Unidos.

    Por que isso acontece é algo que tem sido materia de diversos estudos, mas o motivo mais evidente é que a vida no jogo tem sido percebida como uma vida melhor, na existência real temos que lidar com variáveis quase que infinitas e muitas delas sem controle, algumas nos deixam motivados e alegres e outras podem nos levar a uma tristeza profunda e nos deixar sem energia. Às vezes não nos sentimos desafiados em nossa rotina e não enxergamos um propósito.  De acordo com Zygmunt Bauman, vivemos tempos “líquidos” onde tudo muda rapidamente e nada é feito para durar. Disso resultariam, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, o endividamento geral, a paranoia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas. E cada um por si na sua crescente intolerância ao sofrimento.

    Já nos jogos uma realidade nova é construída e pensada minuciosamente por uma equipe de especialistas. São designers, progamadores e roteiristas que estudam por anos sobre como criar um ambiente adequado para deixar o jogador motivado utilizando várias técnicas diferentes como: competição, colaboração, progressão (subir níveis), reconhecimento, desafios extraordinários entre outras dezenas de técnicas que fazem com que o jogador fique conectado cada vez por mais tempo. Eles nos dão um contexto de trabalho significante, a experiência de sermos bem sucedidos, a oportunidade de uma forte conexão social e um sentido, a chance de ser parte de algo maior que nós mesmos.

    O jogo tem um papel fundamental em nossas vidas desde a pré-história e há quem use a expressão Homo Ludens para desginar nossa espécie, mas claro que é necessário fazermos uma reflexão sobre algumas das questões relacionadas aos níveis atuais nessa relação humanos e jogos, afinal precisamos olhar atentamente para o quanto nos conectamos ou nos desconectamos do mundo real jogando por uma parcela tão significativa de nossas vidas e se a vida nos traz bons e maus momentos, não cabe a nós significarmos cada momento e aprendermos também com as dificuldades? Não seria essa migração para o virtual, em parte, uma fuga?

    Não tenho essas respostas, mas sinto que é um equívoco simplesmente negar esse movimento, o fato é que está acontecendo algo gigante e temos que reconhecer o enorme potencial que o jogo e que essas técnicas tem em gerar compromisso, motivação e engajamento. O jogo Halo, por exemplo, conseguiu unir mais de 15 milhões de pessoas em torno de um objetivo épico compartilhado, o de evitar a destruição da raça humana por ataques alienígenas e salvar o mundo. Mais de 6 mil artigos com dicas (wikis) foram criadas, vizualizadas e editadas por cerca de 1,5 milhões de usuários em diversos países para que os jogadores se ajudassem a aperfeiçoar as técnicas e estratégias e um objetivo comum de matar 10 bilhões de alienigenas uniu dezenas de países em torno dessa missão. Uau!

    E se fossemos além do entretenimento e utilizássemos essa força para o mundo real? É possível fazer isso?

    A resposta esta na gamificação. Gamificar é utilizar um conjunto de ferramentas na realização de um processo que, através de dinâmicas, elementos e desenhos de jogos, motiva ações e comportamentos para uma transformação real que vai além do contexto dos jogos. Como toda ferramenta a Gamificação pode ser utilizada para diversas finalidades diferentes, empresas já vem há alguns anos usando essas técnicas para engajar funcionários ou motivar clientes, espaços de aprendizagem também utilizam os jogos para disseminar conhecimento.

    Mas... Será que existem mais formas de usar essa potência para melhorar o mundo? Como usar colaboração, progresso, reconhecimento e outras técnicas de jogos para motivar as pessoas a realizarem, de forma consciente, uma transfomação positiva no mundo? Será que podemos ter recompensas intrinsecas como um contexto de trabalho significante, a experiência de sermos bem sucedidos, a oportunidade de uma forte conexão social e um sentido na vida real?

    Foi pensando nessas perguntas que nasceu o projeto Planeta Social Brasil, Alexandre Lerman, Bruno Kibrit e eu, sócios da Electi, uma empresa que constrói vivências customizadas sustentadas nos pilares de atitude empreendedora, propósito e impacto social positivo resolvemos investir nossas energias na ideia da criação de um processo gamificado que pudesse gradativamente provocar profundas mudanças e melhorias para a sustentabilidade das Organizações da Sociedade Civil (OSCs / ONGs).

    O Planeta Social é uma jornada revolucionária, um processo que usa elementos e desenho de jogos para uma transformação real na vida das Organizações. Após a diligência inicial o Planeta usa sistemas de facilitação lúdicos, sensíveis e eficientes e transforma a OSC em um planeta com um nome e uma cor. Á partir de então a OSC embarca em uma jornada épica onde tem que alimentar um oráculo online e cumprir 3 missões (ligadas a Comunicação, Organização/Gestão e Trabalho em Rede) feitas através de diversas atividades reais com pontuações e dinâmicas diferentes e envolventes, um verdadeiro jogo da vida real.

    O Instituto UNO, uma OSC que faz um profundo trabalho de educação transformadora em casas de acolhimento testou o Jogo por 4 meses e os resultados foram incríveis. Além de organizar as prioridades dentro dos 3 pilares, fizeram várias atividades que possibilitaram trabalhar a própria capacitação e adquirir instrumentos para melhorar a comunicação, a captação de recursos e a governança. Trouxe também a abertura para novas experiências em rede. "O Jogo nos estimulava constantemente, sugerindo ações e nos provocando a correr atrás delas, a sair da inércia, da procrastinação, o que foi ótimo! Nos fez visitar um espaço de aprendizagem inspirador de outra organização, trocamos muito, saímos cheios de novas ideias, um encontro enriquecedor para todos. No aspecto lúdico, a ideia de um meteoro ameaçando nosso planeta funcionou super bem pois nos impulsionava a realizar esforços extras porém necessários em áreas críticas. A aceleração em nosso plano de crescimento é visível" segundo Rubens, fundador do Instituto UNO, no evento de lançamento oficial do projeto.

    Hoje estamos olhando mais para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs / ONGs) e para as comunidades onde elas atuam, mas queremos, em breve, convidar toda sociedade para participar. Acreditamos fortemente que esse movimento deve ser dar através da colaboração e por isso decidimos lançar o projeto de um jeito bem diferente, chamando nossa rede mais próxima e construindo uma comunidade de pessoas que querem mudar o mundo para orbitar esse novo Planeta. Se ficou interessado e quiser saber mais, fala comigo ou conheça mais sobre o Planeta Social na página do Facebook e se torne parte da comunidade https://www.facebook.com/PlanetaSocialBrasil/

    contato@planetasocial.com.br

     

     

     

     

     

     

     

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Sami Elia

Sami Elia

Sami Elia é escritor voluntário do Portal do Educador.