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  • 18

    ABR

    2018

    Sala de (j)aula

    Anderson Kubiaki em 18/04/2018

    Desespero escolar, entro na sala e uma criança me entrega um bilhete. 

    'deixe a gente sair"

    "Deixe a gente sair frown"

    A professora títular não estava, e eu assumi o posto de "professor carcereiro". O bilhete reflete muitos pontos da escola, a inexistência da relação libertadora, ausência de uma ludicidade articulada aos processos de aprendizagem.  

    O "sair" ampliado, fora da sala,
    fora da escola,
    fora da escolarização do mundo.

    O sonho era que o aluno desesperado e o professor carcereiro saíssem de mãos dadas dos mofos educacionais, senti a necessidade de ser libertado também. Um liberta o outro, um salva o outro, apenas com o olhar, sem palavras, apenas confiando no sentimento e na potência das possibilidades que a incerteza de ser livre proporciona. 

    Nesse momento lembrei-me de Rubem Alves, "há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas." Antes que eu pudesse encorajar o voo, a professora titular retornar a sala de (j)aula, o sinal toca e por fim a sensação de libertade programada. 

     

     

    ...

    Anderson Kubiaki
    entusiasta da educação e poeta analfabeto