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Combate ao Racismo

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  • 03

    JUL

    2015

    Ajuda para a realização de um Intercâmbio Brasil/Senegal dança-arte-eucação

    por Rose Mara da Silva em 03/07/2015

    “Saber-me negra é viver a experiência de ter sido massacrada em minha identidade, confundida em minhas perspectivas, submetida a exigências, compelida a expectativas alienadas. Mas também é sobretudo a experiência de comprometer-me a resgatar minha história e recriar-me em minhas potencialidades”

    (Paráfrase de trecho do livro Tornar-se negro de Neuza Santos Souza)

     

    Este é um projeto de apoio a minha participação no Curso Dança Negra, Engajamento e Resistência, com duração de 40 dias na Escola de Areias no Senegal, a principal instituição de pesquisa sobre essa temática no Continente Africano*. Sou artista e educadora, e minha luta e pesquisa diária é para que haja um diálogo entre a educação e a arte negra dentro da escola. Há a lei 10.639/03 que apesar de seus 12 anos de existência continua sendo muito negligenciada na prática, as notícias diárias nos mostram que pouco ou nada vem sendo feito nesse sentido, e que estamos longe de construir uma escola pós-racista que segundo o Ministro da Educação Roberto Janine Ribeiro é o que precisamos com urgência.

    Eu pretendo relacionar os conhecimentos que vou adquirir nesse curso com metodologias e estratégias educativas voltadas para o ambiente escolar, pois acredito que só por meio de um fazer artístico consistente o educador de artes pode construir um trabalho impactante com seus educandos. Assim, elaborei minhas contrapartidas tendo como foco a geração de conhecimentos no campo da arte-educação da cultura negra por meio de um blog informativo com registros, relatos e imagens de todo o processo vivido no curso e inclusive das próprias contrapartidas, capacitações para professores de escolas públicas, apresentações artísticas de dança negra contemporânea seguida de debates nas escolas públicas e um curso de longa duração (40 horas) sobre Corpo Negro na Escola: Procedimentos Metodológicos para a comunidade em geral.

    Sendo assim, a minha intenção em realizar o curso Dança Negra: engajamento e resistência, na Escola de Areias no Senegal, é relacionar os conhecimentos adquiridos durante o período do curso com as questões da inserção da cultura afro-brasileira na escola, estabelecer pontes metodológicas entre a cultura negra tradicional e cultura negra contemporânea (através dos artistas das diferentes nacionalidades que encontrarei nesse evento), e a compreensão dos processos de reconstituição identitária através da vivência máxima das potencialidades do corpo presente na prática das danças negras tradicionais (tanto brasileiras, quanto africanas) e seus reflexos no corpo negro contemporâneo.

    Assim, por ser consciente de minha identidade e de minha trajetória desejo realizar esse curso com a intenção de gerar mais conhecimentos nos campos investigativos da arte de origem afro-diáspórica, e quero compartilhar com os coletivos, grupos e instituições que pensam e realizam trabalhos no campo das ações afirmativas para a população negra brasileira, os conhecimentos e provocações originárias desse curso. Enfim, acredito que todo conhecimento tem que ser compartilhado, conhecimento parado é inútil. Esse curso não vai gerar frutos só para a minha carreira, minha intenção é levar as ideias profundas e avançadas da noção de identidade negra fortalecida que existe na Escola de Areias à maior quantidade possível de pessoas.

    Se você pretende colaborar e quer saber mais sobre minhas intenções, sobre a Escola de Areias e os conteúdos do curso que eu vou fazer, é só continuar lendo, abaixo segue a proposta mais detalhada.

    http://www.kickante.com.br/campanhas/intercambio-cultural-brasil-senegal-danca-negra-contemporanea

     

    DESDE JÁ MUITO OBRIGADA PELA ATENÇÃO!

     

    PS: essa campanha foi feita em caráter de urgência, a residência vai de 16 de julho a 26 de agosto. Tentei diversas formas de apoio financeiro público e privado sem sucesso, então num último ato de fé coloco essa campanha, inspirada primeiramente pela resistência de meus antepassados, e pela luz de pessoas lindas que encontrei no meu caminho que me deram forças para acreditar que tudo é possível.

    ...

    Rose Mara da Silva
    Rose Mara Silva há 4 dias UM POUCO DA MINHA TRAJETÓRIA - Rose Mara Silva Sou artista cênica profissional (DRT/bailarina - 0025041/PR), bacharel em Dança pela Universidade Estadual de Artes do Paraná UNESAPAR-FAP, e atualmente, sou pós graduanda no curso Lato Sensu Arte na Educação: Teoria e Prática na Escola de Comunicações e Artes da USP- Universidade de São Paulo. Me nomeio como artista cênica porque o trabalho com a cultura afro-brasileira me trouxe a necessidade de desenvolver outras habilidades no intuito de viver amplamente a arte que investigo, assim estudo também teatro popular brasileiro, música e habilidades artesanais para construir adereços cênicos. Fui mezzosoprano no Coral Erudito da UFPR em 2010/2011 e em 2014 no Coral da USP – Núcleo Casa de Dona Yayá. Participo do Núcleo de Pesquisa de Dança Afro e Teatralidade Contemporânea na UNESP desde 2013, aluna do curso CORPO AFRODIASPORICO, ministrado por Luciane Ramos desde 2014 e estudo danças da Guiné-Conacry com a professora guineana Mariama Camará. Sou artista educadora integrante da equipe do PIÁ- Programa de Iniciação Artística da Divisão de Formação Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo desde 2014. Em 2015 fundei a empresa Baobá Arte Negra e Educação, na qual estou dando meus primeiros passos realizando a capacitação continuada em “Estratégias Educativas através da Cultura Popular Brasileira e Afro-Brasileira” para professores da escola privada Externato Sant'Ana, e também estou integrando o coletivo Agô Performances Negras que tem realizado a Contação Performática de Histórias “Banzo” em eventos e grupos escolares periféricos do Rio de Janeiro e São Paulo. Neste ano também estou ministrando a disciplina de Danças Afro-Brasileiras na Contemporaneidade no Curso de Formação em Dança Contemporânea do Projeto Cultuar da Prefeitura de Mauá. Fui integrante Coletivo Eita! Ação Cultural que foi contemplado com o Programa Vai em 2013/2014 com o Projeto Suzart – Poética da Periferia, inspirado nas obras do artista visual baiano Valdiney Suzart, e teve como temática o genocídio da população jovem negra de periferia no Brasil permeando diversas atividades: oficinas, palestras, debates, capacitações de professores, e o espetáculo de dança teatro afro contemporânea para a rua Mu'leke Mulelê dirigido por mim, com mais de 30 apresentações pela periferia de São Paulo, temporada de 5 apresentações pela Divisão de Cultura da Intendencia de Montevídeo, e também foi apresentado no formato de aula na 2a Bienal de Arte y Educación de Montevideo 2014 – Uruguay.