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  • 20

    JUL

    2015

    ALFABETIZAÇÃO - SEMPRE UM DESAFIO

    por Ângela Franco em 20/07/2015

    Para quem acompanha a história da educação no Brasil, a alfabetização foi e tem sido um grande desafio, exceto durante o tempo em que as escolas recebiam um grupo muito restrito de alunos, quando ser analfabeto era até "natural”.

    Com a abertura da escola para todos, a questão da alfabetização aflorou. O que era simples tornou-se algo complicado: por que algumas (muitas) crianças não se alfabetizavam? Por que a metodologia até então utilizada não dava resultados? Os índices de evasão e repetência tornaram-se alarmantes e políticas educacionais surgiram buscando solucionar a questão, mas o analfabetismo foi tratado como sintoma de uma doença chamada "carência", "defasagem", "déficit" - a criança trazia em si a incompetência e uma série de “dis" (disritmia, dislalia, disfonia, discalculia ...). O analfabetismo era um problema médico.

    Pesquisas educacionais trouxeram novas informações e possibilidades de se obter resultados de qualidade no processo de alfabetização. Ficou claro que cada criança é única, que o autoconceito positivo alavanca o sucesso, que o fator tempo deve ser considerado e a intervenção deve ser uma constante.

    Com um novo jeito de envolver as crianças no mundo letrado, muitas começaram lendo mais cedo. O que antes era uma raridade ou considerado uma consequência de mentes privilegiadas, tornou-se um fato comum: crianças lendo ainda na pré-escola.

    Este fato trouxe consigo consequências sérias. Novamente, as crianças que chegavam aos sete anos não alfabetizadas eram discriminadas e um caos tomava conta das escolas: crianças que estão na escola há mais de dois anos não leem e não se sabe o que fazer com elas. O que fazer para minimizar o problema ou eliminá-lo?

    Algumas políticas muito interessantes foram implementadas. A reorganização do tempo escolar - os ciclos - a liberdade metodológica, a formação continuada dos professores. Mas a mudança de paradigma era e é muito exigente e leva tempo. Assim, o imediatismo e o desejo de se ter uma escola "forte" conduziram a algumas práticas estressantes: Vestibulinho para as crianças de seis anos, treinamentos em algumas escolas de educação infantil para uma "falsa" alfabetização.

     

    Atualidade

     

    Hoje não temos mais Vestibulinho. As crianças de seis anos estão no fundamental. Temos o Pacto pela Educação e Alfabetização no Tempo Certo: políticas educacionais tentando resolver a questão.

    Muitas políticas têm sido adotadas, mas nenhuma delas alcançou o sucesso devido, a meu ver, por uma simples razão: não são apenas as políticas que resolverão o problema da leitura no país e, sim, um trabalho de alfabetização que envolva todos os educadores de cada escola e todos os espaços de aprendizagem. Não se aprende a ler maciçamente, em um mesmo tempo. Os ambientes, as experiências, o desejo, as relações diferem.

    Há de Investir nos principais elementos envolvidos pelo processo de alfabetização: as crianças, a língua, o processo educativo e o alfabetizador.

    É necessário conhecer a criança como pessoa em desenvolvimento e que anseia em aprender a ler. Identificar o seu universo cultural é determinante para a organização do processo educativo: em que ambiente ela vive? Que dialeto utiliza na fala? É curiosa, segura, arrisca-se, tem desejo de aprender ou, ao contrário, tem medo, autoestima baixa, acredita ser incompetente?

    Para alfabetizar não se pode considerar a turma e sim cada criança. Mapear a realidade do grupo vai indicar caminhos: principais diferenças, pontos comuns, projetos de vida, desejos, expectativas – diagnóstico individual e coletivo.

    Se o alfabetizador já tem alguma experiência, tem que fazer uma avaliação do que já realizou: o que a experiência lhe diz, como estão as crianças nos anos posteriores, o que aprendeu com as diferenças entre elas. É importante parar e pensar na organização do trabalho: renovação ou manutenção do material já utilizado – porque e para que – necessidade de estudar/pesquisar novos caminhos, como enfrentar as maiores dificuldades. Como e quando realizar intervenções.

    Durante o processo, avaliar se está satisfeito com o resultado ou se, necessitando, tem buscado ajuda (quando, a quem, como?).

    Proposta 1

    Por que não investir na formação continuada dos professores? Não só os chamados alfabetizadores, mas todos porque todos são alfabetizadores, no sentido amplo da formação de leitores: aprende-se a ler lendo, em todos os lugares, com todas as pessoas e em qualquer tempo.

    Concluindo

    Ler e escrever são exigências da nossa cultura. A sociedade tem obrigação de prover meios para que ela se dê de forma qualitativa e para todos. Afinal, ler é uma habilidade de sobrevivência.

    Pergunta-se:

    Quando a alfabetização acontecerá sem traumas e medos?

    Quando a alfabetização será respeitada enquanto processo que requer tempo, querer, alegria, seriedade, respeito e compreensão do significado de "estar alfabetizado"?

    Proposta 2

    Professores/educadores, que tal formar uma rede nacional em prol da melhoria do trabalho docente na formação de leitores?

    Professores/educadores e alunos merecem o melhor!

     

     

     

     

     

     

     

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    Ângela Franco