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    FEV

    2017

    Como construir um PPP com autonomia pedagógica – Contribuições da CONANE Regional Sudeste

    por Redação em 17/02/2017

    A autonomia pedagógica foi um dos principais temas debatidos no encontro regional da Conferência Nacional de Alternativas para Uma Nova Educação, a CONANE Sudeste, organizada na EMEF Desembargador Amorim Lima.

    Laila Sala e Marilia de Santis, que desenvolvem um brilhante trabalho educativo no CEU Heliópolis, foram responsáveis por fomentar, mediar e sistematizar a roda de conversa em conjunto com o educador Braz Nogueira, referencia em Educação Democrática pelo trabalho que realizou como Diretor da EMEF Pres. Campos Salles.

    A roda contou com cerca de 15 participantes, a maioria mulheres da educação não formal, estudantes de pedagogia, ou outro curso relacionado a educação. A roda contou também com estudantes de pós-graduação na área, além de uma adolescente estudante do ensino fundamental. A discussão se deu em torno de três questões que foram debatidas em pequenos grupos e depois reunindo a todos.

    O que é autonomia? O que é uma escola autônoma?

    A discussão levou o grupo a refletir sobre diferentes concepções de autonomia em disputa e vários usos da palavra e do conceito. Chegaram a alguns consensos. Entenderam que autonomia se relaciona ao processo de um grupo que constrói as próprias regras, e, então, um processo coletivo e que exige responsabilidade e solidariedade de todos, pois as decisões são pensadas para o conjunto. Colocaram a necessidade de estar desperto em relação as escolhas e as coisas que podem influenciar as decisões, assim como enxergaram a necessidade de preocupar-se com a desnaturalização das práticas e concepções.

    Neste sentido concluíram que, quanto mais gente junta pensando e fazendo, mais autonomia se produz enquanto grupo. Diferenciaram autonomia e independência, pensando a necessidade da autonomia para possibilidade de inovação, já que para inovar é preciso tomar decisões que ainda não foram tomadas. Em relação a autonomia escolar, foi citado o exemplo da EMEF Pres. Campos Salles e a aprovação do PPP e do regimento no Conselho Municipal de Educação. Essa conquista se deu, dentre outras razoes, pela relação da escola com a comunidade. No entanto o grupo entendeu que isto significa ainda mais compromisso da comunidade com a escola.

    Como uma escola autônoma pode contribuir para uma transformação social com base na justiça e na democracia?

    Texto da RAyssa Figueiredo Bilinski, 13 anos, estudante do sétimo ano:

    “Nas escolas autônomas as crianças devem pensar, pois se as decisões que irão tomar dentro do contexto democrático der errado, a culpa será delas porque foi uma decisão autônoma, ao contrário do que seria se, o professor ou alguém, impusesse as decisões às crianças, por conta que a culpa do dar errado seria culpa do comandante da ideia. Como esse trabalho conjunto em um contexto democrático e autônomo, nós jovens iremos ter o dever de pensar para não prejudicar o coletivo.

    Se a escola nos ensinar a pensar no coletivo e com autonomia, cada um cria seu pensamento, começam a exigir seus direitos, criando assim justiça social.”

    Alguns consensos do grupo:

    1 - É preciso considerar o ensino público também do ponto de vista das classes populares.

    2 - Quando as crianças participam das decisões em conjunto com as outras pessoas  elas se corresponsabilizam, pensam no coletivo para construir justiça social.

    3 - Foi apontado também a necessidade de envolver as famílias nas questões da escola e de seu entorno.

    4 - A escola autônoma tem papel fundamental na construção de respostas para a comunidade.

    5 - Para haver justiça social e democracia é necessário abrir espaços de escuta e também espaços onde isso é permitido.

    Como contribuir para o fortalecimento de escolas que estão construindo seu processo de autonomia?

    As referências de experiências escolares que já desenvolveram projetos diferenciados, assim como o reconhecimento do MEC através do mapeamento de 178 experiências inovadoras e criativas (www.criatividade.mec.gov.br ), serviram como exemplo de estratégias que podem ser utilizadas para fortalecer a autonomia pedagógica já garantida na legislação brasileira, vide a LDBEN, escrita em 1996.

    O grupo colocou também a importância desta rede, já reconhecida pelo Ministério da Educação, produzir politicas publicas capazes de criar formas de sustentar estas experiências independente da alternância de partido no governo, dado as ameaças que acontecem com os projetos progressistas em contextos autoritários. Talvez seja preciso entender melhor onde e porque experiências passadas de educação emancipadora não se tornaram políticas públicas.

    O grupo também apontou para a necessidade de romper outros muros, como por exemplo as escolas públicas e particulares. Além disso, a necessidade de criar espaços de dialogo onde se possa divergir e tecer criticas sem que isso rompa com a rede de articulação e que garanta a autonomia.

    Assim, parece-nos certo que uma das formas da escola ter poder é criar uma relação profunda e intrínseca com a comunidade onde está inserida. E, para tal, é também necessário construir esta autonomia de forma coletiva. Assim, a escola deve se constituir como um espaço da comunidade e não do diretor.

     

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