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    MAI

    2017

    O Pedagogo Luca Rischbieter propõe a Radicalização do Lúdico – Educação Infantil

    por Redação em 10/05/2017

    O Portal do Educador entrevistou Luca Rischbieter, Pedagogo e principal idealizador da Casa Labirinto, uma escola de Educação Infantil fundada em Curitiba, no Paraná, que propunha a radicalização do lúdico. A escola funcionou por alguns anos com a proposta de ser um laboratório pedagógico, uma incubadora que possibilitasse inspirar outros projetos nesta mesma perspectiva.

    Na semana passada Luca esteve no Instituto Singularidades para participar de um dos encontros semanais do Curso de Extensão intitulado Gestão Pedagógica para Educação Democrática. O curso é coordenado pelo professor Denis Plapler, Sociólogo e Mestre em Filosofia da Educação. Denis, que por dez anos trabalhou como educador e posteriormente como coordenador no Colégio Viver, atuou também como Consultor da UNESCO para o Ministério da Educação, no projeto implementado por Helena Singer na gestão do Ex-Ministro Renato Janine Ribeiro, quando o MEC reconheceu como Inovadoras e Criativas 178 organizações educativas, escolares e não escolares, públicas, privadas e do terceiro setor, dentre elas a Casa Labirinto, de Luca.

    Para Luca Rischbieter  a liberdade é um valor fundamental no processo educativo, pois quando permitimos que a criança se dedique aquilo que é de seu interesse, ela apresenta resultados muito mais verdadeiros e competentes naquilo que está fazendo. Luca explica que a proposta da utilização do labirinto é oferecer uma ferramenta que auxilie neste processo, pois oferece liberdade e, com a mente livre de tantos estímulos externos, que as crianças já sofrem no mundo, tornam-se capazes de enxergar aquilo que é interessante para elas em espaços preparados pelos educadores, possibilitando esta busca, de modo a interagir com o espaço entre elas mesmas, a partir das brincadeiras e dos interesses pessoais.

    Luca explica que a proposta da casa é oferecer um lugar para radicalizar a educação que prioriza o lúdico, o aprofundamento deste percurso que acredita neste educar, onde existe interação com a comunidade, na tradição da Escola Ativa, princípio do movimento internacional da Escola Nova, que no Brasil encontrou ressonância no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Este arquétipo engraçado do labirinto, trazido por Luca, permite o aprofundamento de uma experiência, leva adiante este símbolo mediador com potencial extremamente lúdico. Luca relata que ao longo destas experiências verificou-se maior interação de estudantes com autismo, dentro desta proposta de experimentação do lúdico vinculado ao labirinto. Outros aspecto observado foi o desenvolvimento da psicomotricidade fina em crianças novas, de aproximadamente dois anos e meio, demonstrando que a radicalização do lúdico permite a criança se desenvolver para além daquilo que é pensado para ela.

    Alguns exemplos práticos foram apresentados de forma a exemplificar concretamente a proposta. Labirintos feitos de papelão, tijolinhos de caixa de leite, crianças construindo, percorrendo, destruindo e arrumando. A radicalização do lúdico permite que as crianças se misturem em suas idades e revela a natureza aglutinadora do labirinto. Ao mesmo tempo promove a coletividade e a individualidade das crianças, papel fundamental à escola. Gera espaço de tranquilidade, de debate, rotinas e pequenos rituais que também são necessários.

    Dentro desta proposta as crianças criam seu próprio currículo e os pais se preocupam em conhecer aquilo que as crianças estão fazendo, aprendendo, desenvolvendo. Na Casa Labirinto, semanalmente os pais recebiam a programação semanal, com as brincadeiras e uma narrativa das atividades selecionadas, semelhante aos relatórios bimestrais sobre cada uma das crianças. Entretanto a conversa com os pais era cotidiana, existia um canal aberto entre os educadores e as famílias, relações próximas que valorizam o vínculo, o afeto. Valorizam também a possibilidade de construção de um portfólio do percurso educativo de cada uma das crianças, substituindo as provas e notas.

    Dentro desta proposta os educadores preparavam os ambientes, mas também respeitavam o tempo livre e desestruturado. Pensam a organização dos espaços para que sejam agradáveis, mas sem que sejam rigidamente definidos para que possam constantemente ser modificados. Já os conflitos emergentes eram resolvidos a partir de acordos coletivos criados e respeitados pelas crianças em conjunto com os educadores.

    Uma parte muito forte do trabalho, bastante mencionada por Luca, é o respeito ao tempo de cada criança. Explica ele que ao colocar um horário para cada atividade estamos pressupondo que a criança tem um tempo para aquilo, assim como os adultos. Quando nos sentimos confortáveis para ler e escrever podemos fazer isto, se não estamos aptos, não podemos fazer isto, assim é também com as crianças. Não sabemos do que as crianças precisam, cortar seu tempo para substituir aquilo que ela está fazendo por outra coisa é desrespeitar o seu próprio tempo e desrespeita-la como sujeito, protagonista, como pessoa.

    Luca destaca que atualmente chegamos ao ridículo absurdo de nos vermos obrigados a defender que seja permitido que se brinque. Para ele, no ensino médio os estudantes também deveriam ter o direito a seguir seus próprios interesses, mas são obrigados a seguir apostilas, pela sistema do vestibular, pela indústria do livro didático e pelo medo de abrir mão do sistema convencional que aposta sempre em dar aulas.

     

     

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