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  • 22

    MAR

    2017

    O que aprendemos com as ocupações?

    por Anderson Kubiaki em 22/03/2017

    Participar de uma ocupação não é baderna, nem é ficar de pernas pro ar e muito menos é coisa de pessoas desocupadas. As ocupações nas escolas, universidades e institutos federais são uma resposta política aos ataques a educação pública no Brasil. Lutam contra a malfadada Escola Sem Partido, contra a tenebrosa PEC 241 no congresso ou PEC 55 no senado e contra a medida provisória da Reforma do Ensino Médio que afeta toda educação básica.

    Há seis meses eu tive contato com o M.E.O (Movimento Educacional Ocupacional), um movimento totalmente estudantil criado por alunos do Colégio Estadual Augusto Meyer que tem como principal objetivo lutar pela valorização do professor, mas também para uma melhor estrutura nas escolas, garantir o direito de voz dos estudantes e a maior valorização da educação. Eu vi alunos engajados e sérios em suas atitudes. Durante o movimento aconteceram muitas oficinas, música, fotografia, poesia, empoderamento feminino e várias outras atividades ocorrendo na escola, organizada por alunos. Vi estudantes agregando conhecimento, não para conseguir uma nota em uma disciplina, mas sim para enriquecimento individual e coletivo. Vi banheiros e salas de aula sendo limpos pelos próprios alunos. E tive oportunidade de contribuir com uma oficina de poesia para o projeto que tenho com amigos, chamado Leialogo.

    No momento 1.197 escolas estão ocupadas e para manter essas ocupações os estudantes precisam dividir os trabalhos em grupos, ou comissões. Concomitante acontecem assembleias onde é aprendido a ouvir o outro, e a formar sua opinião baseada em argumentos. As ocupações apresentam uma pedagogia interessante para uma reforma significativa na educação. Baseada na autonomia, em um currículo vivo e na valorização da gestão coletiva do espaço.

    O movimento estudantil nos trouxe um conhecimento muito maior sobre cidadania do que todo o tempo que estivemos enfileirados estudando em aulas padrão. Em uma semana de ocupação, aprendemos mais sobre política e cidadania do que muitos anos que passamos em sala de aula. (Ana Júlia, estudante ocupada no Paraná)

    Ocupe e resista!

     

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    Anderson Kubiaki
    Estudante de pedagogia