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  • 07

    NOV

    2016

    REDE NACIONAL DE EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA SOLTA NOTA DE SOLIDARIEDADE E REPÚDIO

    por RNED em 07/11/2016

    NOTA DE SOLIDARIEDADE E REPÚDIO

    A Rede Nacional de Educação Democrática, coletivo que reúne educadoras e educadores interessados em pensar e incentivar outras formas de educação, vem expressar sua solidariedade às escolas, estudantes, professoras e professores que, nos últimos meses, vêm sofrendo uma série de ataques de diversos setores da sociedade, e nosso repúdio pelas ações apresentadas a seguir:

    - Invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes por policiais civis e militares, que entraram na escola fortemente armados e atirando, mesmo sem qualquer mandato (o que também não justificaria a truculência da ação), numa clara estratégia de criminalização dos movimentos sociais;

    - O ofício enviado pelo vereador Ricardo Nunes à Escola Municipal Amorim Lima, questionando as atividades da “Semana de Gênero” promovida pela escola, ameaçando legalmente os profissionais envolvidos com o intuito de sufocar as discussões relativas à violência e desigualdade entre gêneros;

    - As ações policiais violentas contra os secundaristas que ocupam legitimamente suas escolas em diversas cidades contra as medidas propostas pelo governo, e a decisão assinada pelo juiz Alex Costa de Oliveira autorizando a Polícia Militar a se utilizar de técnicas como impedir a entrada de alimentos e outros itens, corte de água e luz e até mesmo a utilização de instrumentos sonoros contínuos para impedir o período de sono;

    Os episódios mencionados estão devidamente registrados, mas além deles, há uma pressão psicológica visando intimidar práticas educativas transformadoras e críticas da sociedade atual. Apesar de ainda não aprovado, o projeto “Escola sem Partido” já exerce uma clara influência no debate público, e representa riscos às educadoras e educadores que ousam instigar o pensamento crítico. Um professor participante da Rede teve uma de suas postagens denunciada por uma página do “Escola sem Partido”, seguido de uma série de mensagens de ódio e intolerância.

    Ainda mais grave foi a gravação - feita sem autorização - de uma fala de outro educador membro da Rede, em que este fazia uma crítica à Polícia Militar. O vídeo, divulgado na internet de forma descontextualizada, gerou uma série de ameaças virtuais, mas não só: foram divulgados seu nome e local de trabalho, onde policiais militares foram procurá-lo. Ele não estava no momento, mas nos assusta pensar o que poderia ter acontecido caso estivesse.

    Por tudo isso, acreditamos ser fundamental coletivizar as lutas, entendendo que estes não são casos isolados, mas sim um reflexo do avanço conservador e repressor que vivemos no Brasil atual. Solidarizamo-nos com todos que vêm enfrentando estas e muitas outras pressões; estamos e permaneceremos lado a lado, enquanto coletivo, no apoio, denúncia e resistência frente a estas ações, na defesa de uma educação crítica, emancipadora e autônoma.

    Cotia – SP, 05/11/2016

     

     

     

     

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