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  • 29

    JUL

    2015

    Um CONTO DE FADAS ambiental

    por Cláudio Ricardo Chaves Moraes. em 29/07/2015

    Essa abordagem pode parecer um pouco holística ambientalmente, mas quando vamos gerenciar algo tão precioso como fauna e flora de uma região, é preciso experimentar novas teorias, enxergar outras visões e ir além de um mundo objeto (onde os habitantes pensantes parecem mais homo economicus do que homo sapiens sapiens). Pode-se assim, evitar piores colapsos ambientais em nossa qualidade socioambiental. Afinal, um pouco de poesia e encantamento do ponto de vista ambiental acaba não fazendo mal, além de contribuir, aproximando este público da "ecologia-interna" com os "tecnicistas".

    A principal queixa dos preservacionistas é a falta de políticas públicas ambientais coerentes e então, nesse caso, precisaríamos apenas colocar as crianças no poder, que nos ensinariam melhor os conceitos de ternura e respeito que precisamos para com o Ambiente. Porém, é possível concordar também com alguns tecnicistas da área, não ficando somente em um "conto de fadas ambiental" e sim em ações concretas de prevenção e outras com o poder de polícia ambiental que o Estado possui.


    "(...) a sociedade necessita de mecanismos de incentivo ao risco, pois o risco precede toda inovação." José Lutzenberger


    A crise ambiental se mostra aparente, a partir da desarticulação do mundo somada a uma coisificação dos recursos ambientais disponíveis. O homem com racionalidade ambiental procuraria recuperar valores cristalizados e, assim, restabelecer o vínculo com a vida, com o desejo de vida e então "fertilizá-la" organicamente (LEFF, 2006).
    Segundo Leff (2006), essa crise ambiental, que na verdade ele prefere chamar de ‘crise de civilização’, gera um entorpecimento dos sentimentos de ternura e respeito em relação à qualidade socioambiental do próprio homem. Sua proposta é tecer uma nova razão de sustentabilidade, que ilumine novos valores civilizatórios. O autor ainda propõe a Epistemologia Ambiental, i.é., estudos críticos nas ciências ambientais e esses viriam como necessidade, não como apenas um conto de fadas.


    A construção de uma racionalidade ambiental é um processo político e social que confronta com interesses diversos, com reorientação de padrões tecnológicos e práticas de consumo. Nossa problemática ambiental questiona possibilidades de manter uma racionalidade social baseada em cálculos somente econômicos, controle e uniformização de comportamentos sociais, que induzem para questões globais de degradação socioambiental, com desinteresses na eqüidade social e dignidade humana (LEFF, 2002).


    "A questão ambiental gera, assim, uma complexa dialética entre realidade e conhecimento. O saber ambiental não é tão-somente uma resposta teórica mais adequada a um real social (a um referente empírico) mais complexo a partir de novas aproximações holísticas e sistêmicas. O saber ambiental questiona as teorias sociais que legitimaram e instrumentalizaram a racionalidade social prevalecente e defende a necessidade de elaborar novos paradigmas do conhecimento para construir outra realidade social. Estas características do saber ambiental, de seus efeitos nas crenças e comportamento dos agentes sociais, bem como no desenvolvimento das ciências e disciplinas sociais, aduba o terreno para fundar uma sociologia ambiental do saber sociológico" (LEFF, 2002).


    A formação de uma sensibilização ambiental e posterior consciência somente virá com a desconstrução de nossos processos sociais, como a transformação democrática do Estado, a reorganização transetorial da administração pública, a reelaboração interdisciplinar do saber vinculado à área ambiental e a cooperação social no lugar da competição social (LEFF, 2002).


    De acordo com Nalini (2003), o termo ética é um código de comportamento que orienta a conduta de indivíduos, i.é., princípios morais que diferenciam o certo do errado.


    Em um discurso e nas políticas do desenvolvimento sustentado, ocorre um conjunto de clichês para conformar a ética do desenvolvimento sustentável, como: "pensar globalmente e agir localmente" e o princípio da precaução. Eles circulam no imaginário abstrato da consciência ambiental, nos instrumentos legais que normatizam condutas de atores sociais e vão se inserindo na formação da falácia ambiental de certos "ambientalistas" (LEFF, 2006).
    É difícil encontrarmos os reais valores ambientais que penetram com dificuldade nas consciências. Ser ético é apenas adquirir bom senso e não coisificar os recursos ambientais que a natureza disponibiliza diariamente.


    "A ética ambiental explora a dialética do um e do outro na construção de uma sociedade convivencial e sustentável" (LEFF, 2006).

     

    *Cláudio Moraes é Gestor Ambiental, Educador Ambiental do Sítio Geranium, Palhaço Verde e Componente do NEPLA – Guará/DF.

     

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

    LEFF, Enrique. Epistemologia Ambiental. Tradução de Sandra Valenzuela; Revisão Técnica de Paulo Freire Vieira – 3ª Edição – São Paulo. Cortez, 2002.
    LEFF, Enrique. Racionalidade Ambiental: A Reprodução Social da Natureza. Tradução de Luis Carlos Cabral. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2006.
    NALINI, José Renato. Ética Ambiental: 2ª Edição. São Paulo: Milennium Editora Ltda, 2003.

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    Cláudio Ricardo Chaves Moraes.
    Educador Ambiental desde 2007. Trabalha com crianças e adolescentes em um Santuário Ecológico chamado Sítio Geranium em Brasília e é palhaço.